terça-feira, 29 de julho de 2025

Escrevo por escrever

Escrevo por escrever, porque se não escrevesse, eu não escreveria.

Isso pode até soar maluco — e, sinceramente, acho que é muito maluco. Mas a grande questão é que simplesmente escrever por que sim virou algo absurdamente subversivo.
Porque todas as escritas precisam ter alguma intenção grandiosa por trás, um sentido único e inalterável de querer dizer alguma coisa para alguém — e que esse alguém seja atingido de uma maneira que valide o porquê de você escrever.

Mas, a partir desse pensamento, você não parte mais do princípio de que quer escrever por escrever. Sua escrita passa a ser controlada por quem vai ler o que você escreve.
E não — isso não quer dizer que eu tenha que escrever qualquer coisa, por mais imoral que seja, apenas para chocar. Porque aí você já cai na intencionalidade de chocar, o que também não é, no final, o escrever "porque sim".

Agora eu me vejo nisso tudo, e vai parecer absolutamente pedante eu dizer que escrevo completamente sem sentido.
O que não é verdade.

Porque, se não tem sentido eu escrever, então não precisaria escrever.
Mas o pulo do gato está aí:
eu escrevo para dizer o que penso.
Se eu — ou alguém — vai ler, pouco importa.
Estou registrando a minha existência e meu pensamento cru, sem métrica, sem algoritmo, sem a regra de querer ser mais do que sou — que é: eu mesmo.

E o que eu sou?

Não faço a mínima ideia.
Já que o fato de eu pensar porque existo não é por si só um sentido — mas sim, só uma dúvida. Simples e complexa.
O que me leva a escrever sobre isso.

Mas se eu não sei pra que existo, por que continuo a existir?

Porque somente existindo sem saber me faz escrever sem sentido.
Porque a possibilidade de tudo fazer sentido amanhã não me atrai — mas o fato de eu pensar amanhã o que não pensei hoje me deixa curioso.
E para lembrar o que pensei ontem, eu escrevo.
Para que as perguntas fiquem empilhadas no caos que é existir.

Eu sei, é uma maluquice gigantesca.
E, no final, estamos todos mais perdidos do que no começo dessa escrita.
E a graça está justamente nisso.

Ninguém precisa ter um monte de sentido para sentir o que sente.
Estamos todos errados de acordo com o ponto de vista de alguém.
E vamos continuar estando errados.

O que me faz mais feliz do que se eu encontrasse um monte de pessoas dizendo que estou certo.

No final, os pontos de vista mudam. As opiniões também.
E, a não ser que eu interrompa minha vida, vou continuar existindo enquanto me for permitido, biologicamente.

Estou preso a um mundo onde certezas mentirosas vendem muito mais do que dúvidas sinceras.
E, dentro do que isso me permite ser livre, eu sou.

Não na arrogância de me bastar, mas na humildade de saber que não sei quem eu sou. 

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