O meu ritmo de leitura é tão aleatório quanto qualquer coisa que eu faça que não seja vir trabalhar todo dia. Não fico naquela de “ah, quantos livros eu li na vida”, “ah, quantos livros eu li esse mês”. Acho muito mais honesto ler quando tenho vontade, e quando não tenho, não ler. Simples.
Ando com vários livros na mochila. Não sei quando vai me bater a vontade de ler algum deles. É como jogar videogame: uma hora você quer e joga a noite toda, e quando vê, o dia tá amanhecendo. No outro dia, você nem lembra que o videogame existe.
“Nossa, vá ler livros! Tudo fará sentido, você ficará mais inteligente.” Mas esquecem que os idiotas também sabem escrever — basta ver isso que você está lendo agora, o que eu estou escrevendo. Até porque, com o tanto de gente que lê pra caralho, que diz que é inteligente, e o mundo continua a mesma merda... E isso nem é pra dizer que ler é ruim, não é. Mas tentar entender o que está escrito é algo que não dá pra ficar monetizando. Aliás, dá — é só ver o tanto de canal de resenha de livro, gente escrevendo e pedindo pra youtuber reagir, comentar, ler — e não dizer o que acha realmente, mas falar pros outros comprarem.
Peguei um ódio por livros na adolescência. Era muito ruim ficar ouvindo que, se eu não lesse Machado de Assis, eu não passaria no vestibular. Não, eu não passei no vestibular — mas não foi por causa do Machado de Assis. Ele nem sabe o que eu fiz. Sempre achei essa imposição de ter que ler esse ou aquele cara obrigatória uma bosta.
Hoje você tem um CEO de qualquer coisa que ganha uma grana violenta e nunca leu porra nenhuma — e geralmente é o cara que lança um livro (ghostwriter) com a fórmula para o sucesso.
Os livros que eu leio não uso marcadores de página. Pelo menos, não os comprados ou brindes — eu os perco todas as vezes. Então uso um pedaço de papel qualquer, geralmente um pedaço do maço de cigarros. Não fico tratando livro como algo sagrado — já tem maluco demais fazendo isso com a Bíblia, e olha o que tá acontecendo.
Não sou adepto da canalhice intelectual de querer dizer que sou inteligente e profundo porque leio tal autor, porque entendi outro. No final, eu li Machado de Assis, mas só quando mais velho. E penso: ainda bem que me dei esse tempo. Porque é uma leitura chata pra caralho. O cara é genial? Óbvio. Mas é chato pra caralho de ler. É realmente o tipo de leitura que aquele acadêmico que exibe todos os seus cursos gosta. Mas um adolescente realmente vai preferir Harry Potter e Jogos Vorazes.
Eu até ia ler alguma coisa hoje, mas perdi a vontade.
Música: O Equivocado — Ratos de Porão
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