Em mais um surto de pensamentos aleatórios da madrugada, regada a quetiapina que não fez efeito e Lucky Strike (filtro vermelho, por favor), me pego pensando em um assunto que, por muitas vezes, já me passou como se eu visse uma árvore na lateral da pista — mas eu estivesse em um carro em alta velocidade. Só identifiquei que era uma árvore, mas não sabia qual era, nem onde estava.
Mas, nessa madrugada especialmente fria, me pego mais uma vez ruminando as coisas, mastigando meus cacos de vidro.
Aqui estou eu, mais uma vez, com essa troca de porradas comigo mesmo — onde eu bato na minha própria cara enquanto dou risada com a gengiva sangrando, os dedos inchados, a mão doendo — para chegar a uma conclusão completamente sem sentido… ou com muito sentido, a depender do ponto de vista. Do quanto você bebeu. Do cigarro que fuma. E, mais importante, do quanto você já se fodeu.
A raiva é o único sentimento honesto. O único que realmente faz com que a ação não seja totalmente vazia.
Estava aqui pensando… o amor é a Síndrome de Estocolmo dos que já ficaram presos em uma paixão durante tanto tempo que, quando ela morre, você fica tentando reviver aquele cadáver.
(O que eu falo é sobre o amor romântico, não o maternal ou paternal — esse foge a qualquer regra. E só quem tem filhos consegue entender.)
O ódio é como uma bomba que vai cair e destruir tudo. Ela não caiu, mas está no caminho.
Não há o que possa detê-la: são toneladas de pólvora direcionadas a um local que, embora calculado, não tem previsão do impacto real.
E a paixão, como dito antes, é um sequestrador.
Ela te mantém refém.
A negociação é truncada.
A razão não transita.
É como se, em vez da bomba do ódio, estivesse uma arma apontada direto pra sua cabeça.
A raiva, no entanto, é o atrito entre o que se é e o que se quer ser.
É o meio desconfortável.
É aquela vontade de ir embora de um rolê chato pra caralho — e que seria a melhor decisão se você não odiasse parecer chato.
Ou se não fosse refém da performance social.
Ou, ainda, se já não sofresse da Síndrome de Estocolmo e ficasse ali por amor às pessoas que não merecem.
Talvez esse meu pensamento seja apenas resultado da insônia.
Talvez seja algum delírio.
Acho que vou fumar outro cigarro.
Música: Human – Rag’n’Bone Man
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