Estava aqui me lembrando das vezes em que fui para festas, confraternizações, eventos sociais diversos, onde o intuito era se divertir, tomar algumas cervejas, bater papo e voltar pra casa — o que, até aí, é muito válido.
Porém, começo a lembrar que, independente de qual evento social seja, ele sempre vai se fragmentar em grupos menores: as panelinhas.
As pessoas começam sempre a se dividir em grupos, com seus diplomatas que circulam entre eles — geralmente a pessoa "da galera" ou, em evento de trabalho, algum supervisor. Nada anormal.
Dentro dessa dinâmica curiosa, que sempre tem (não adianta dizer que não), eu me vejo como o cara ali, parado nos corredores, dando espaço para os supervisores, enquanto fumo meu cigarro, tomo minha cerveja, como meu petisco, observando cada um dos grupos — e me culpando internamente por não conseguir estar em nenhum deles de verdade.
Claro que, em alguns momentos, eu até entro em algum grupo onde tem alguém com quem converso mais. Mas é só para ficar sorrindo e balançando a cabeça afirmativamente enquanto alguém fala.
Ou, às vezes, dá certo de algum infeliz puxar papo comigo — e aí dura horas, eu falando de alguma coisa com conexões absurdas, como estou fazendo agora. E vejo nos olhos da pessoa que ela já não está entendendo mais nada. Mas sigo no monólogo. E, em cada pausa para um cigarro novo, fico mentalmente me chamando de idiota por estar fazendo isso, pensando dentro de mim: por que estou falando tanta coisa só porque a pessoa pareceu querer ouvir?
Aí eu saio de cena e volto para o limbo entre grupos, com a imagem mental de eu me dando tapas na cara. Isso faz com que eu questione toda a minha presença física naquele lugar: a roupa que estou vestindo, o tanto que bebi, o quanto fumei, que horas são, que horas seria apropriado ir embora sem parecer rude — ao mesmo tempo em que sei que ninguém vai perceber a hora que eu sair. Mas, mesmo assim, fico.
Fico nesse limbo mental e físico de não pertencer nem a mim mesmo. Jogando tudo de um lado para o outro, como se estivesse numa brincadeira de pular corda, esperando o momento para entrar, pular e me divertir. Sempre hesitando. Não porque não sei a hora de entrar, nem porque não sei pular — mas porque fico projetando a queda, as risadas, o julgamento. E me vejo estatelado no chão igual um saco de bosta, tendo que rir da própria desgraça pública.
Enquanto isso, continuo bebendo uma cerveja atrás da outra e fumando um cigarro atrás do outro. Sempre compro dois maços quando vou para algum lugar assim — já que o álcool me faz querer fumar muito mais. Além disso, tem o fato de beber para parecer mais social, ou para criar coragem de colocar todos os pensamentos de lado e simplesmente aceitar ser ridículo.
O foda é que eu não me acho melhor que ninguém. Na verdade, todos ali naquele ambiente são mais legais que eu, são mais sociais, se vestem melhor para a ocasião, têm os melhores assuntos, o sorriso mais bonito, os melhores cortes de cabelo. E, mesmo achando tudo isso, eu insisto em ir. Quase como um sadomasoquista — não porque gosto das pessoas ou dos ambientes, mas porque preciso sair da minha própria caverna, onde mal escuto minha própria voz, exceto durante a jornada de trabalho.
E ali, eu paguei para entrar — ou recebi de graça o convite para a confraternização. Então, que filho da puta sou eu, que não me divirto? Que não tenho esse dever moral de gostar? Quem eu penso que sou?
No final, eu vomito na mesma privada, sozinho, em casa. A mesma privada que vou ter que limpar amanhã pela manhã, já que, de tanto beber, não consegui acertá-la em tempo.
Música: Hogjaw – Swamp
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