terça-feira, 3 de junho de 2025

Solidão - Versículo 3

Não é que eu não acredite no amor romântico, nem que eu esteja fechado pra ele. Sei lá… estou em uma fase em que estou bem comigo mesmo. Não vejo sentido em ficar sempre gostando de alguém, pulando de paixão em paixão.

Eu estaria errado em dizer: "ah, eu não vou me apaixonar". Aí eu estaria sendo burro pra caralho.

O que estou dizendo é que não tenho interesse em ninguém, não tenho interesse em querer me mostrar como uma pessoa interessante, alguém pegável. Consigo andar na rua, indo e voltando do trabalho, pensando em inúmeras coisas, me colocando em um lugar de afeto próprio — um lugar que passei a vida inteira negando. E nem é narcisismo. É apenas olhar e pensar: "porra, está legal assim".

Me interesso em sair com pessoas pra tomar uma cerveja, fumar, falar bosta e dar risada. Sem uma obrigação social, sem a carga da paixão que cansa, que faz a gente ficar cego, se colocar em último lugar.

É um papinho bem merda esse, mas sei lá… eu sinto falta do convívio com meu filho, sinto falta da animação pra jogar um jogo legal, de querer assistir a um filme, de sair pra beber — mas não de um romance.

Quero ir dormir a hora que eu quiser, mesmo que eu tenha insônia. Quero poder cagar de porta aberta. Quero poder fumar meu cigarro. Quero poder combinar uma saída com meu filho no dia que eu quiser, sem ninguém me enchendo o saco, sem um contrato afetivo em forma de amor romântico.

Acho que eu precisava desse tempo — que, aliás, já estou vivendo há alguns meses — pra poder colocar as coisas no lugar. Não em relação ao que eu quero (que, apesar de na superfície ter muitas coisas), mas nas camadas internas eu ainda não faço ideia do que quero ou de como fazer.

Engraçado, porque parece que tenho tanta certeza do que eu quero… Mas às vezes não é sobre o que se quer, e sim sobre o que não se quer.

Quebrei gente no processo de chegar onde estou agora. Me quebrei pra cacete também. Sigo fodido em um monte de coisa, mas pelo menos ciente de que estar fodido é um estado permanente da vida.

No final, vamos existindo nas ações de desfoder tudo — o que obviamente eu não vou conseguir. Mas dá pra ir fumando meu cigarro e cuspindo pensamentos que começam de uma maneira e terminam de outra completamente diferente.

Música: Living Life – CIV

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