Vivo no capitalismo há bastante tempo.
E eu entendi algumas coisas. Uma delas é: trabalhe o mesmo tanto que te pagam.
Mas calma, não sou um vagabundo — e se você já pensou isso, provavelmente também já julgou que eu ganho mal. Bem, não está errado. Mas prefiro pensar que não ganho o suficiente para ser algo além de um cara que vai e volta do trabalho.
As pessoas querem números. Os chefes querem números. Eles não se importam com mais nada. Se os números estão bons, você está bem. Se estão uma merda, bom… você vai estar numa merda maior ainda.
Eu trabalho na ausência dos outros. Fico o tempo todo fazendo algo? Não. E por isso doso meu trabalho, para não precisar ficar pilhado o tempo todo enquanto estou aqui. Inclusive, escrevo durante o horário de trabalho — porque a revolta se manifesta a cada hora que penso que compro camisetas legais das bandas que eu gosto só para usar na sexta-feira, ou naqueles raros momentos em que fico animado o suficiente para existir além da rotina laboral.
Fico escutando minhas músicas, quieto, não chamando muita atenção. Porque quem chama atenção, quando quer ficar invisível, é visto. E quem não é visto nunca, é lembrado na hora do relatório de fechamento do mês: com um sinal verde, bateu a meta, é um bom colaborador.
Quantos clientes entram em contato comigo aqui, ou com qualquer outro, reclamando de mil coisas, e no fim não fazemos absolutamente nada… só falamos: "aguarde um momento… poderia testar agora para ver se melhorou?" — e a pessoa responde: "ahhhh, agora sim!"
Você, eu e qualquer um passamos por isso. Porque, na real, não entendemos porra nenhuma do problema que está acontecendo. Mas ligamos pro suporte só pra ter um motivo pra esperar cinco minutos.
A paciência que falta pra muitos é o que faz as metas de alguns serem batidas sem esforço.
Mas quem acha que isso não cansa, se engana. Cansa, e muito. Você tem que estar alerta o tempo todo, sempre pronto pra resolver o problema de algum cliente chato.
A rotina profissional consiste em um trabalho silencioso, repetitivo e chato, infinitamente piorado por chefes de merda ou clientes chatos pra caralho. Às vezes, os dois se unem para te dar um passe livre pro Burnout.
Mas, apesar de tudo, eu me divirto bastante pensando que escrevo coisas que provavelmente me fariam perder o emprego.
Falando nisso, vou me ausentar por cinco minutos para fumar um cigarro.
É mais honesto do que ir pro banheiro e demorar pra caralho, fingindo uma cagada remunerada.
Música: Can I Borrow Some Ambition? – Guttermouth
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