Último fim de semana que meu moleque veio aqui, eu e ele começamos a conversar sobre algumas coisas — entre elas, palavrões, redpill, desafios perigosos de internet.
Ele tem 9 anos e está sujeito a todas essas coisas, simplesmente exposto a isso, e há um limite do que eu posso controlar. Por isso, tento tratar dos assuntos de maneira tranquila, engraçada, e da maneira que é — sem filtros —, o que é a maneira que eu sou também: normal.
Mas esse último fim de semana, em especial, conversamos sobre as coisas, e aí eu comecei a contar as merdas que eu fiz — obviamente, as merdas de moleque. Aquelas merdas que viram ralados, histórias de sala de espera de hospital, essas coisas… todas com o puro e simples intuito de se fazer uma merda, aquela que seus amigos vão falar: “Caralho, ele é maluco, ele é legal”, e, no final, rirem da sua cara por causa de um braço quebrado ou de você chorando todo fodido, com a cara e o corpo ralado.
Enfim, fui contando pra ele e vi o quanto ele prestava atenção e ria das merdas que eu fiz, como quem diz: “Nossa, pai, você era muito burro.” E eu, no meio disso tudo, tentando passar pra ele que as histórias são engraçadas só quando você está vivo para relembrar delas com alguma nostalgia.
Um método meio esquisito de falar pro filho: olha, não se mate tentando fazer alguma merda só porque você vai achar que todo mundo vai te adorar por isso. Mas foi isso que eu disse a ele: falei que todos fazemos merdas, mas fazemos merdas porque decidimos fazer.
Se algum dia ele se sentir pressionado a fazer algo, simplesmente não faça, dê as costas e vá embora. E, se alguma merda gerar dúvida, que fale comigo. Eu já vi bosta demais pra saber o que realmente vale a pena uns ralados ou não.
Algumas das histórias ele riu absurdamente, e é muito bom. Mas, ao mesmo tempo, muito estranho isso, porque, enquanto eu falava, eu lembrei exatamente do meu pai me contando as histórias dele — e o quanto isso me influenciou. Não sei se de forma positiva, mas, com toda certeza, negativa não foi, já que, se hoje curto muita coisa, é por causa das histórias que ouvi do meu pai.
Ensinei meu filho a xingar — com classe e sem classe. Mandei alguns contextos pra exemplificar. Fiz certo? Sinceramente, não sei. Mas acho que paternidade é meio que isso: nunca ter certeza do que se está fazendo para que o seu filho se torne alguém legal. E nem é o “legal” de ser foda — é o ser legal de ser legal, de ter a liberdade de ser e, ao mesmo tempo, dar a liberdade para os outros também serem.
Mas o que realmente eu sei que estou fazendo certo é fazer meu filho reconhecer um redpill, um incel, e meter um murrão na cara desses filhos da puta.
Política? Bom… deixa isso pra depois. Mas já mostrei quem ele tem que mandar se foder também.
Música: Them and Us – Bad Religion
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