sábado, 21 de junho de 2025

Não depilei meu saco

Um grande preço que se paga em ser você mesmo é que, geralmente, você não é todo mundo, e isso incomoda quem quer atenção o tempo todo, aquele que quer que a vida seja um palco, um momento onde ele brilha.

Gosto da minha vida, mas não num sentido orgulhoso, não no sentido piegas. Sei lá, eu só gosto de poder pensar em nada e nem ninguém por um momento, poder não responder, sem aquele papo furado de quem quer dar um jeito, até porque às vezes não tem jeito, tá tudo fodido, e tá tudo bem.

Quantas vezes as pessoas falam que discordar de mim é receber um silêncio, mas a grande questão é que, geralmente, antes de discordar por alguma posição, antes querem provar que você está errado. E não tenho como ver por outra ótica a não ser a minha; não existe o imparcial, e o fato de não querer ser isso, de não ficar me pintando como um cara acessível, fode meio mundo.

Eu deletei Instagram, Threads e as redes sociais porque, sei lá, estava começando a me ver como um personagem, onde já se esperavam coisas de mim: um jeito, um post, uma palavra que diz que “esse é o Marcelo”.

E, na verdade, tudo que eu faço é fumar meu cigarro, pensar pra caralho nas coisas e colocar elas no papel, sem ficar pensando muito na polidez, no impacto. Eu sou um cara comum que faz coisas comuns, mas que não tem vergonha de falar que liberdade de verdade é cagar de porta aberta, demorar no banho, jogar um jogo merda, esperar meu filho chegar para eu ficar jogando com ele até o dia clarear.

Ninguém é coeso o tempo todo; as sombras, as merdas estão ali moldando como vejo a vida. Porra, já me machuquei, já fiz merda, já fui a causa e a consequência de muitas coisas, e algumas delas que eu nem vi, nem sabia.

Meus relacionamentos diversos, com pessoas diversas, são uma prova de quanto eu posso ser um escroto e quanto eu posso ser legal. Sei lá, não vou ficar me afirmando em qualquer lado; não dá pra dizer “nunca serei isso ou aquilo”, porque, no final, a vida vai seguindo por uns lados meio malucos, e eu gosto dessa maluquice.

Agora, hoje, uma coisa que eu tenho medo, tenho real muito medo, é de alguém se apaixonar por mim, porque eu faço de tudo para não ser apaixonante. É chato pra caralho; você ser desejo de alguém te joga em um lugar onde você não está, é um lugar onde cada passo humano, real, é um convite à pessoa se desiludir. E eu não sou um iludido, e não quero iludir ninguém.

Não sou puritano, óbvio que não. Porra, eu quero transar como qualquer pessoa, quero beber e ficar maluco por um momento, poder rasgar a roupa e correr pelado. Mas sei que isso é um jogo arriscado; por isso eu escrevo, porque aqui você está me vendo pelado, e eu não depilei o saco — tenho medo de cortar o pau fora. E sim, eu sei que é idiota, mas, no final, eu sou isso: um idiota, mas pelo menos faço as pessoas darem risada.

Música: Ramones - Cretin Hop

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