Faz uns cinco anos que minha carteira de motorista venceu. Não tenho carro, não sinto falta. Na maior parte das vezes eu saio a pé, ou, quando vou pra algum rolê ficar bêbado, vou de Uber — poder encher a cara sem precisar me preocupar com a volta é bom.
Mas enfim, eu gosto de andar a pé. Vou e volto do trabalho assim. Claro, é perto de casa — tenho esse privilégio. Mas uma das coisas que mais gosto no ato de andar é colocar as mãos no bolso e seguir vendo a vida acontecer, ao mesmo tempo em que penso. Muitas das coisas que escrevo vêm dessas caminhadas — uma construção de pensamentos a cada passo — onde, por incrível que pareça, caminhar fumando meu Lucky Strike me dá paz. É um momento onde, realmente, as preocupações, as ideias e tudo o que compõe a minha absurda contradição seguem um caminho com destino — ou casa, ou trabalho, a depender da hora.
Às vezes, perdido nos pensamentos, eu piso na bosta de cachorro na calçada — algo que, ultimamente, estou tendo mais atenção, já que o All Star vermelho está com a sola fodida.
Durante o caminho eu penso em um monte de coisas: o que aconteceu, o que pode acontecer, nas coisas, nas pessoas — e sempre no meu filho. Em alguns momentos eu olho o celular: será que tem alguma notificação? Não, não tem. Então, vamos seguindo. Construindo pensamentos, filosofando, ou apenas jogando algumas merdas à luz do pensamento.
Não uso fones de ouvido na rua — acho ruim pra caralho. Fora que é um chamariz pra ladrão. Engraçado que eu escuto música a maior parte da minha vida, mas quase nunca com fones — eles me incomodam.
No fim, é isso. Pensamentos vão passando como páginas de um livro na minha cabeça. Em alguns momentos, eu lembro de escrever sobre eles; outras vezes, eles vão embora da mesma maneira que chegaram — ao acender outro cigarro.
Aliás, preciso comprar mais, porque o meu está acabando.
Música: A Walk – Bad Religion
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