Eu já fui um sonhador, daqueles que pensava, idealizava, tinha esperança de que algum dia tudo teria algum sentido, algum valor. Claro que isso dentro do que eu sempre fui: um fumante cínico e niilista. Estranho, né? Meio contraditório, mas sim, é isso que me define como humano: o atrito, o não entender porra nenhuma.
Hoje, não é que eu não sonhe, mas sei lá… pra mim não faz mais sentido viver a vida correndo atrás de um horizonte, tipo aqueles horizontes de jogos de videogame antigo, que só estão lá para dar uma noção de onde está, não de onde pode chegar.
Eu não lembro dos meus sonhos quando acordo. Mentira, até lembro de alguns, mas eles fazem tanto sentido quanto estar acordado e vivendo uma repetição de dias, esperando algo diferente acontecer.
Enfim, não tenho mais aquele sonho romântico de roteiro de filme de Hollywood, com aquele final apoteótico ou que tenha pelo menos uma lição no final. Não. Eu sigo vivendo, tragando, bebendo, olhando o mundo ao meu redor, cuidando do meu filho e sentindo saudades da voz dele. Sei lá… acho que é minimamente honesto não ficar nessa masturbação social de tentar ser mais do que é, já que, diante de absurdos de autoajuda, os passos para o sucesso são simples: só ter um tênis melhor que os outros milhões que estão tentando seguir o mesmo caminho.
O homem sempre foi absurdamente genial na questão de tornar ele mesmo obsoleto, de se minimizar em nome de uma falsa evolução, para ser descrito depois como extraordinário. Gente que olhou adiante, foi além do horizonte, cagou para os limites e fez com que, mais do que nunca, muitos milhões de pessoas ficassem atrás dele, mas não ao seu lado.
É aquela coisa: no final, a foto de um pet sempre terá mais curtidas do que um espelho que cospe o ego. Afinal, o pet só precisa ser bonitinho e ter ração de qualidade no final.
Sobre o que eu tava falando mesmo?
Música: Valeu memo – Surra
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