sexta-feira, 13 de junho de 2025

Drama

O peso das expectativas alheias é foda. Você se vê em um turbilhão de sentimentos que não são seus, mas que se juntam aos seus — e, mesmo sem entender porra nenhuma, mesmo sem dizer nada, vira responsável por algo que nem imagina.

Cansei dessa performance babaca de ter que querer algo para responder alguém. Parece que tudo tem que ter um interesse obscuro, parece que tudo tem que ter um porquê. E quando você tira isso, quando tira totalmente o jogo de interesses, sobra apenas a frustração, a própria pequenez, onde você é confrontado com um espelho que não te julga, não te aponta o dedo — apenas retorna a sua própria imagem e semelhança.

Talvez o preço a pagar por tentar ser relevante seja carregar um puta monte de coisas que não são suas, um monte de bagagem colocada com seu nome, mas que você mesmo não lembra de ter feito.

E, se você não liga para essa bagagem, você é um filho da puta, porque tem seu nome ali — obviamente, você é responsável por ela.

Poderia xingar meio mundo por ficar jogando as próprias frustrações na vida dos outros, mas, no final, não adiantaria de nada. Eu só estaria mantendo essa engrenagem girando da mesma maneira.

Também não vou dizer aqui que “ah, sou muito melhor porque não sigo da mesma maneira”. Óbvio que não. Eu sou escroto, idiota, imaturo, sem meias palavras — sou isso mesmo. E não é de boa ser tudo isso, é uma merda gigante, porque ver toda essa bosta incomoda pra caralho e faz com que você não tenha capacidade de jogar no outro o peso de ser quem é.

Eu só estou cansado. E isso, por si só, já é um peso. E poder falar isso é uma virtude — por mais besta que seja.

Mas o foda é que você não pode estar cansado, porque essa performance, esse jogo de expectativas — do que você espera que seja e do que realmente é — não perdoa. É o tempo todo com algo a mais.

Esse pode ser o texto mais sem sentido que eu já escrevi, mas talvez um dos mais relevantes pra mim mesmo. Porque eu estou, em linhas e linhas, dialogando comigo mesmo, mostrando a contradição de que me importo pra caralho com como as coisas me atingem, pra no final, você — que está lendo esse texto e tentando entender o todo — eu só ter uma coisa pra te dizer:

Vai se foder.

Música: Drama — L7

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