sexta-feira, 9 de maio de 2025

Texto para não ler!

Eu quero passar longe da identidade de artista, essa classe onde estão os deuses do bom gosto, os verdadeiros sentimentais, aqueles que enxergam mais do que nós, mortais, que simplesmente estamos nos fodendo, fazendo o que dá, enquanto nos dopamos com uma incoerência crônica.
Esses seres iluminados, validados pelos intelectuais, donos do conhecimento.
Não, não quero estar entre esses, e, se possível, nem passar perto. Prefiro estar entre os malditos, a ralé, aqueles que têm suas vozes silenciadas pelos ditos poderosos.
Prefiro mil vezes ser um hipócrita real do que um auto-intitulado artista, aquele que se diz fazer algo tão diferente que precisa que todos vejam, que deem likes, que validem.
Quero estar entre os comuns, onde a vida realmente acontece, onde as frases mais pesadas não viram post de Instagram, capa de almofada ou pintura na sala do burguês.

Engraçado que, ao escrever tudo isso e colocar nesse blog, eu estou colocando a merda toda escrita, o cheiro do esgoto narrado — mas com um grande diferencial:
Eu quero que se foda!

Não há nada mais libertador do que conseguir escrever e não se amarrar nas regras do saber, no lirismo da poesia, na arrogância do querer.
Talvez por isso eu possa ser odiado pelo texto, mas ainda serei eu.
Não estou dizendo que tem que acabar com os artistas, muito menos acabar com a arte — só estou dizendo que vejo muito mais arte em quem tenta ser quem é, mesmo que não seja merda nenhuma, do que em alguém que queira que alguém o valide para o mundo.
Ser um produto da histeria coletiva ainda é ser só um produto, que até pode ser lembrado daqui muitos anos, mas ainda será um produto — e só terá valor se puder ainda estampar a capa de uma almofada brega na casa de quem quer passar que é absurdamente letrado, intelectual e diferente por isso.

Esse texto não é fruto de raiva, nem de niilismo barato.
Esse texto é fruto apenas da minha imaginação.
Que, no final das contas, só tem valor aqui, nesse contexto, e na minha cabeça, onde ele fica silenciosamente sendo aba para a luz daqueles que se consideram sol.

Música: Pub Feed – The Chats

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