A moeda social, os likes, o engajamento, a visibilidade, a tentação de não ser invisível, de poder dizer algo que gera identificação.
A minha bolha, os meus, os que curtem cada postagem. Ah, o ego… como, em um mundo invisível, ele faz tanta diferença?
Em meio a uma cagada na privada, uma performance, uma selfie, um pensamento aleatório que vai com a descarga, para no final irmos dormir com aquele que não é editado, aquele que não é por inteiro, aquele que ficou bem em uma foto quando estava mal pra caralho.
Os afagos descartáveis, a minha melhor versão, aquele que produz, aquele que gera conteúdo, aquele que faz do vazio a obra-prima.
A solidão… bom, essa eu performo falando na minha rede social, onde muitos veem, mas ninguém ousa dizer que também é errado, que também é podre, que também é incoerente, o que foi tóxico para os outros e para si mesmo.
A moeda social dos que, de tão pobres, só têm dinheiro. Vista instagramável, trabalho edificador, conteúdo intelectual acima da média, noção política ímpar, um texto fora da curva, um fluxo de pensamento sagaz — o mesmo pensamento que te deixa sozinho no fim do dia, o mesmo pensamento que afasta o real, mas promove o virtual.
Um pedaço do algoritmo, não como eles, mas como todos os outros. Analfabeto funcional na questão de sentir. Quem me conhece sabe, sabe que eu sou pior que edito, sabe que eu falho quando todos acertam. Mas meus seguidores… ah, esses me entendem, esses realmente sabem que eu seria incapaz de um erro tão humano.
E talvez, após tudo isso escrito, eu seja só um treinador de algoritmo, um alimentador de IA, um pedaço de carne que acha que faz diferença no meio de tantos iguais.
É… pensamentos desconexos e caos escritos de forma bruta, sem filtro. Por isso, o que você está lendo pode não fazer sentido — porque não faz sentido pra mim você chegar aqui, ler a minha mente exposta e dizer “eu entendi”.
Porque, no final, não entendo porra nenhuma.
Música: Teenage Lobotomy – Ramones
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