terça-feira, 20 de maio de 2025

A Madrugada

A madrugada: o momento onde a maioria dorme, onde alguns trabalham, onde outros têm insônia e onde as ansiedades podem começar.
Eu gosto das madrugadas — não quando estou insone e ansioso, mas quando estou tranquilo com meus pensamentos. Esses que não aparecem durante o dia; o pudor do dia não me deixa pensar coisas que na madrugada surgem.
Não, não são pensamentos sujos — esses eu tenho durante o dia, durante a rotina que silencia a ação. Durante o dia eu tenho vontade de mandar as pessoas irem tomar no cu. Durante a madrugada, não. São só fluxos de pensamentos existenciais, como esse que você está lendo agora.

Pensando na minha hipocrisia porca de me sentir sozinho, ao mesmo tempo em que passei os últimos dias sem realmente querer conversar com ninguém.
Apenas pensamentos. Não o overthinking da ansiedade — apenas pensamentos.

Meu filho não vem este fim de semana, o que me deixou meio pra baixo. Porra, como é vazia a minha vida sem a perspectiva dele vir.
Mas há coisas boas. Comprei as luzes pra casa, já que, bem no fim do mês, quando o dinheiro já tinha acabado, as lâmpadas do quarto e do banheiro queimaram — e tive que esperar até o quinto dia útil pra comprar novas.

Entende? São apenas pensamentos soltos, que no silêncio do mundo ganham algum poder de me fazer perder no espaço-tempo.
Como uma viagem no horizonte de eventos de um buraco negro — a calmaria antes do caos.
Eu estou desanimado esses dias. Mas tudo bem. Estar animado e de bem todos os dias é loucura, muito maior do que pensar que eu tomo remédios pra controlar a ansiedade e dormir melhor também.

A madrugada é onde me lembro do passado, de tantos momentos em que fui absolutamente deplorável em certas situações.
A madrugada é onde eu penso no que o futuro reserva — não com aquela pergunta “e se tal coisa?”, não. Apenas pensando, de forma despreocupada.
E também, na madrugada, é onde eu fico de certa forma em paz com o presente, onde sinto meu corpo pesando no colchão e tentando descansar para a nova rotina que começa em algumas horas.

Alguns textos, eu penso, sou mais agressivo, mais cru, mais visceral. Este não. Este são apenas pensamentos colocados no papel.
Deu vontade de escrever sobre qualquer coisa. Então, sobre qualquer coisa eu escrevo.

Vou acender outro cigarro — já que a cada tragada é um momento a menos de vida que eu ganho e um momento a mais comigo mesmo que eu perco.

Seguimos.

Música: Smoko – The Chats

Nenhum comentário:

Postar um comentário