Sábado, 1h23 da manhã.
Aqui estou, sozinho, sem solitude, sem resiliência. Somente eu e eu mesmo — a pessoa que não queria encarar.
Essa semana foi pesada: muitas coisas, muitos sentimentos, falhas que tive que encarar, clientes que tive que atender, o sorriso amarelo de nicotina que tive que dar no trabalho — tudo esperando o fim de semana chegar.
Não, não é por causa da festa de sexta-feira, não é pelo happy hour, pelos possíveis dates. Não. Era para esperar a vinda do meu moleque, da voz dele que preenche o silêncio, da alegria que substitui o cheiro de cigarro.
Mas ele não veio. É o fim de semana com a mãe — e está certo, ele tem que ter um fim de semana com cada um. Não quero que ele tenha menos alguém, sabe?
É apenas solidão. Ansiedade pelo dia de amanhã, pelas próximas horas acabarem logo, para que logo chegue a hora dele chegar.
Não vou jogar Subnautica porque ele pediu — ele quer me ver jogando para ter referência.
O boneco que comprei da China ainda não chegou, mas o peso do silêncio chegou.
E aqui estou eu, em uma crise de insônia. Não a boa. Não aquela de ficar jogando ou assistindo algum filme com ele. Mas a insônia de olhar para tudo e não ver ninguém.
E, nesse sentimento, eu escrevo um fim de semana — não para dizer que hoje tá uma bosta, mas para dizer que todos os dias em que ele não está aqui são uma bosta.
Hoje, sem música, porque a trilha sonora dessas noites é sempre o barulho do isqueiro acendendo um novo cigarro, o som dos carros na rua e o ruído do teclado desse celular enquanto eu digito.
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