É engraçado pensar que tento viver uma vida autêntica, mas cercado de verdades abstratas, de ideais inalcançáveis, de regras arbitrárias e todos os "etc." que você pode ver nas redes sociais e no LinkedIn.
É um eterno saber que você já se fodeu, mas tem a escolha de tentar se foder com estilo, já que o luxo de escolher como viver são realmente poucas pessoas que têm.
Nossa, mas você se alimenta mal, fuma, e blá blá blá... Ok, se eu estivesse em uma posição de escolha, talvez fizesse mais sentido a crítica, mas no final eu só estou aqui tentando burlar a merda do sistema da melhor maneira possível, que é fazendo com que ele não me quebre.
Você, eu, todos estamos fodidos, estamos no mesmo barco. Não me coloco em situação melhor que a de ninguém, porque é isso: vejo alguém na rua pedindo comida, amanhã pode ser eu — um desempregado tendo que ouvir o primo rico falando que ele só está naquela situação porque não sabe abrir uma carteira de investimentos.
Eu já tentei correr para conquistar meu espaço. Não deu certo — e não por falta de empenho ou tentativa — mas sim porque, se você não tem o dom divino de nascer herdeiro, bom... você se fodeu.
Quanto fiquei maluco tentando ser alguma coisa, quanto fui escroto com as pessoas, quantas vezes deixei a minha casa e fiquei igual um workaholic tentando ganhar dinheiro, tudo isso para a mão do mercado dedar meu cu, e no dedo escrito "meritocracia".
Um exemplo: quantas vezes eu fiquei de férias em casa e, depois de um tempo parado, começou a bater a agonia de se achar um inútil porque não está trabalhando.
Que loucura é essa?
Porra, será que cheguei tanto ao fundo do poço que não me sinto uma pessoa por estar de férias?
Não, eu não penso assim — principalmente quando um ex-chefe chegou para mim uma vez perguntando:
— Cara, você curte carros?
— Sim, eu gosto. Por quê?
— Olha esse vídeo que eu fiz andando em um Mustang conversível com a minha família lá em Miami.
Eu virei as costas e fui fumar um cigarro, para não acabar ganhando uma justa causa. Sabe como é, né?
Mas vê aí a importância do cigarro?
Depois fui demitido por excesso de faltas. Enfim, história para outro dia.
Mas sei lá... se tem alguma coisa que eu posso dizer que escolhi de verdade, é tentar ser eu o máximo que puder — não nas grandes coisas, mas nas pequenas.
Nesse texto, em todos os outros que já escrevi e que vou escrever ainda.
Que como o fluxo de bosta não termina, então sempre tenho um assunto pra falar.
Música: Take This Job and Shove It – Dead Kennedys
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