sexta-feira, 16 de maio de 2025

Gambiarra Existencial

Sempre fui um poço de expectativas frustradas, tanto minhas quanto dos outros, e não tem nada melhor que isso, porque, em meio a tanto quebrar o que as pessoas pensam, eu pude pensar por mim mesmo.

Não sei se está certo, não sei se está errado, mas só penso, digito, enquanto cago, entre um atendimento ou outro, sei lá.
Eu já tentei caber demais no mundo das pessoas, e aí fiquei cada vez mais distante de mim mesmo. Porra, eu só quero ser um pai legal para o meu filho — não o perfeito, mas um cara legal. Um pai, não uma entidade, não um ator, mas um cara que ensina todos os palavrões possíveis para o moleque e deixa ele livre para usá-los em casa.
Já fui humilhado, já me subestimaram, já me superestimaram, já tentaram me colocar em um local onde eu não queria estar, porque, no final, o legal é ser porra nenhuma mesmo.
Eu não me vendo como um cara foda, um cara legal, até porque não sou. Porra, que merda é essa de você fazer uma coisa certa e isso ser colocado como modelo para as coisas? Tá todo mundo maluco, incluindo eu.
A minha vida é uma eterna gambiarra, colando os pilares com cuspe e chiclete, enquanto bebo cerveja e fumo meu Lucky Strike.
Demorei pra caralho para conseguir entender alguma coisa, e vi que não entendi nada — e continuar sem entender é o que me faz poder rir da merda do caos enquanto espero o meu moleque chegar em casa.
Se algum dia eu for intencional no que eu escrevo, ou se algum dia eu estudar para escrever, para engajar, para fazer as pessoas ouvirem, podem me internar, porque aí eu sucumbi às expectativas de quem me acha, de alguma maneira, um cara foda.
Ou pior: um Homem de Valor!
(Se isso acontecer, me deem um tiro.)

Música: Lexicon Devil – The Germs

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