Quantas vezes, depois de fazer uma tremenda merda, ou depois de tudo dar errado, ou depois de me machucar pra caralho durante a vida, eu chorei.
Puta merda. Durante muito tempo, eu tinha aquele pensamento bosta de “ah, não sangre no tanque de tubarões”. Porra, eu não conheço nenhum tubarão! Quem tem interesse no meu sangue escorrendo no tanque?
Mas, durante muitos anos, eu fiquei em silêncio, levando as porradas quieto. Na verdade, não tão quieto. Eu sempre escrevi, sempre foi parte do processo.
Mas, pros outros, eu sempre estava bem. Sempre normal.
“Nossa, como ele é forte!”, diziam.
Não sabiam que eu estava quebrado, fodido, torto, com dor, com culpa. Mas não, eu precisava trabalhar, precisava ter algum tipo de armadura pra não ser deixado de lado completamente.
Afinal, quem está mal acaba com a “energia” do local.
Grande coisa, essa energia mentirosa de merda, cheia de expectativas irreais, onde você é jogado dentro e tem que fingir.
Sério: estou de boa comigo mesmo.
Se tiver que chorar, eu choro.
Se tiver que xingar, eu xingo.
Se eu tiver que me isolar, eu me isolo.
E mesmo com tudo isso...
Se eu quiser escrever, eu escrevo.
Se não quiser... bom, foda-se.
Mas homem chora sim. Chora pra caralho.
Os que não choram com as lágrimas escorrendo, com cara feia, nariz escorrendo, choram por dentro da armadura.
Choram da maneira mais doida.
E eu chorei muito tempo assim, onde meus lamentos alimentavam um câncer maior do que a probabilidade do meu câncer de pulmão.
Porra... se eu não posso lamentar, xingar, me mostrar sim como uma criança birrenta às vezes, pra colocar pra fora a frustração... eu faço o quê?
Compro um livro chamado A Sutil Arte de Ligar o Foda-se?
Não. Melhor mesmo é pegar uma bebida, acender o cigarro e chorar.
Lamentar. Ficar mal mesmo, porque as coisas realmente fazem mal — e não temos como controlar isso.
O cheiro do meu Lucky Strike sempre é um conforto pros dias de merda, já que, pelo menos de alguma maneira, eu estou escolhendo uma forma de morrer.
Homem chora.
Eu choro.
Mas prefiro acender um cigarro.
Porque, no final,
eu não ligo.
Música: I Don’t Care – Ramones
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