quarta-feira, 21 de maio de 2025

O Divorcio

O divórcio saiu, agora sou oficialmente um cara solteiro, pelo menos juridicamente.
Mas é engraçado como, quando as coisas tomam um fim definitivo, a gente se pega pensando no que aconteceu, nos motivos que levaram ao fim.
E não, eu não lembro com inconformismo ou com nostalgia — só penso mesmo. E não na culpa da minha ex-esposa, mas sim na minha, no que eu fiz para chegar a isso. Não me martirizando, mas tentando entender o todo, para que eu não cometa os mesmos erros, sei lá.
Acho que todos nós pensamos no fim de algo com um viés derrotista ou com uma nostalgia barata de algo que não aconteceu. Ou começamos a lembrar que nem tudo foi ruim — isso é normal, e eu já passei dessa fase.
Eu tenho amizade com a minha ex-esposa. Ela me deu meu maior presente: meu filho. E ele está acima de qualquer coisa.
Não teve aquela briga de egos, de quem ganhou e quem perdeu. Todo mundo perdeu, mas, ao entender isso, de alguma forma todos nós ganhamos.
Óbvio que no início foi tudo muito ruim, pesado, uma verdadeira derrota. Falei dessa jornada de redenção em outro texto, Cigarros, Cachaça e Redenção, onde eu me senti sozinho, com uma conta de todos os erros.
Não, a conta não foi paga, e não deixei de me sentir sozinho. Mas, sei lá... agora é outro contexto. É o contexto do fim documentado de algo que foi um sonho, que foi uma expectativa absurda, uma jornada gigante, cheia de sentimentos e atitudes nem sempre legais e felizes — mas que também tiveram isso.
Pode parecer que eu esteja querendo dar uma moral da história enquanto escrevo, mas não. É só isso mesmo: as coisas mudam a fase de estar, e continuarei errando em um monte de coisa. "Nossa, ele não tem a intenção de errar, mas erra" — e isso é humano.
No final, estamos seguindo em frente. E a vida segue, independente se queremos isso ou não. E eu continuo fumando meu cigarro, me sabotando, falando que esse fim de semana eu vou sair, e no final acabo comprando uma camiseta, algo pra colocar no quarto, qualquer merda — e a vontade de ficar em casa jogando algum jogo legal, isso num fim de semana igual a esse, em que meu filho não vem pra casa.
Cheguei à maturidade cansada dos que são engolidos pela rotina e perdem as coisas aos poucos, e, a conta-gotas, tentam se manter minimamente estáveis para não acabarem virando uns babacas com toda a humanidade, só porque a humanidade foi babaca com eles.
Sozinho em casa, as vantagens são poder cagar de porta aberta, assim como tomar banho de porta aberta, fumar tranquilamente dentro de casa e poder fazer o meu nada com um tédio libertador.
Quanto à questão de continuar?
Bom, eu preciso ter vontade de deixar o acaso fazer o trabalho. Mas, no momento, eu quero só que se foda mesmo.

Música: Serve the Servants – Nirvana 

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