Passando para a esquerda, foto em academia, em vários lugares do mundo, em bares e restaurantes caros... o que alguma dessas pessoas tem a ver comigo?
Um cara que tem todas as fotos fumando, com o plano de fundo do trampo, que só consegue usar uma camiseta diferente na sexta-feira do no dress code... mas eu me divirto com o estudo antropológico que são os aplicativos de relacionamento. Obviamente não pago por plano premium — prefiro comprar uma camiseta ou um jogo. Bem mais divertido a longo prazo.
Mas aí eu me pergunto: porra, o que eu tô fazendo nessa merda?
Ah, para, vai... você não acha que consegue viver sem nenhuma validação, nenhum interesse, nada de poder se sentir um pouco interessante?
Mentiroso do caralho. Você tem a mesma necessidade de todo e qualquer ser humano: por conexão. Nem que seja um like. A diferença é que você dá risada se tem um like — e dá mais ainda se não tem. E essa é a sua liberdade.
Você gosta das coisas, mas não se mede por elas. E aí fica pensando nelas em meio ao horário de trabalho:
— Nossa, por que você não arrastou essa pra direita?
— Ah, não tem cara de quem aguentaria um Lucky Strike e um rolê baixo custo.
Porra, mas isso é machismo?
Claro que não. Eu não estou rejeitando pessoas pelo gênero delas. Eu estou me rejeitando a cada pessoa que eu penso que nunca curtiria nada do que eu faço ou sou.
Entende a diferença?
Mas aí é que tá a grande sacada: o jogo social me cansa muito. Mas isso não quer dizer que, às vezes, não seja legal jogar. É simples: ninguém é tão antissocial que não precise de um pouco de ação comum.
Interessante esse pensamento vir na minha cabeça durante a hora do almoço de uma sexta-feira. Porque talvez isso seja o sintoma de que eu precise sair pra tomar umas e me desligar de mim mesmo.
É... tá foda.
Música: Should I Stay or Should I Go – The Clash
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