quinta-feira, 8 de maio de 2025

Diário de um Fantasma Funcional

Mais um dia aqui em meu posto de trabalho, escutando as teclas do teclado — minhas e dos colegas — enquanto fico ouvindo música, escrevendo, pensando, girando meu fidget spinner, mas sempre observando, ouvindo.

Sou mais velho que o pessoal aqui. Eles todos têm 20 e poucos anos, e eu, já com 39, fico sendo o contraponto: o cara que passa a maior parte do tempo em silêncio e, às vezes, entra em um assunto ou outro. O clima é muito amistoso, o que realmente faz com que minha ansiedade fique tranquila a maior parte do tempo.

É interessante como as dinâmicas mudam conforme a idade. Eles estão envoltos em sonhos, metas, vontade de ser social o tempo todo, enquanto eu carrego meus pensamentos e cansaço em silêncio. Não vou julgar o trabalho de ninguém, no final, isso é o ganha-pão de cada um, e cada um trata isso da maneira que julgar certo.

Mas isso não impede de ver como as preocupações são diferentes. E aí você começa a entender que as coisas nunca são tão simples — existem camadas de vivências que só o tempo pode dar.

Algo que mostra isso: o pessoal aqui, em sua maioria esmagadora, vai à academia na hora do almoço. Eu, geralmente, não almoço. Fumo uns dois cigarros no período de uma hora e volto para o local de trabalho para ficar lendo alguma coisa, vendo meu Threads ou pesquisando algo que tenho vontade — mas que é uma merda procurar no celular (não, eu não tenho nem desktop nem notebook em casa).

Sou consultado às vezes em algum assunto mais complexo, e já consegui expor muitas das coisas que penso sem ser julgado por isso.

Entre clientes chatos e um trabalho absolutamente maçante, consigo, a conta-gotas, ser eu mesmo — tanto no silêncio quanto na ausência. Isso, no final do dia, me dá a certeza de que, mesmo fodido, ainda consigo ser funcional. Social.

A vida da galera com 20 e poucos anos parece um roteiro paraguaio de Malhação, mas não julgo. Só dou risada e fico pensando como eles se sentirão quando passarem para um roteiro de novela das nove, escrito por um novato que não sabe como escrever algo que faça sentido.

Música: Nice Day To Go To The Pub – Cosmic Psychos

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