sábado, 31 de maio de 2025

Eminência à Parte

Não sou um cara muito acessível na questão amorosa.
Sei lá, eu simplesmente não quero nada. Não estou fechado, mas não quero ficar correndo atrás de nada.
Eu não quero ser poema ou capítulo na série de ninguém. Não sou ator — simplesmente estou existindo em um momento meu.

Às vezes penso: será que estou sendo escroto?
Mas aí me pego pensando: eu estaria sendo escroto se desse brecha pra isso aumentar de tamanho, se desse corda — coisa que já fiz e da qual me arrependo, porque magoei gente que não merecia ser magoada.
Não adianta esperar perdão ou pensar que dá pra simplesmente deixar tudo pra lá e viver como se nada tivesse acontecido. E eu entendo isso de boa, sabe?

Eu não afasto as pessoas que se aproximam. Eu simplesmente não tenho saco pra ficar fazendo aquele jogo de alimentar os desejos de cada um o tempo todo.
Ah, caralho, eu quero ficar sozinho.

Meus textos podem parecer um grito para que me notem, mas, na verdade, são só existência crua jogada em frases — diretas da minha cabeça, sem edição, sem filtro.

Responder um “não” pode doer pra caralho pra quem recebe, e tá tudo bem.
Mas não me culpe pelas expectativas frustradas — elas não são minhas.

Eu não gosto da solidão o tempo todo.
Só acho que, sim, poder ficar sozinho é uma beleza às vezes.
Só é pesado saber que o “sozinho” por vezes representa uma caminhada solitária pelo espaço, sem resposta de nada, sem um eco — só pensamentos, textos digitados pela minha mente.

No final, você só é realmente requisitado se tem algo a oferecer.
E eu, em alguns casos, sem querer, pareço que tenho muito a oferecer.
Mas, na realidade, não tenho muita coisa além de mim mesmo.

O eu real que cospe textos aleatórios e constrói playlists com eles.

Música: Sick Boy – GBH

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Um Maço por Dia

24 horas — isso é o quanto dura um maço de cigarros. Às vezes dura algumas outras a mais, outras vezes menos, mas esse é o cálculo.
Eu baseio meu salário também no consumo de cigarros, afinal, não quero passar uma noite sem fazer absolutamente nada. Pelo menos cultivar um pulmão preto é uma das coisas básicas.

Mas esse mês vou passar apertado. Comprei um quadro de presente pra minha mãe — Dia das Mães, né? Pois bem, nada muito caro, mas juntando com as outras contas, realmente faz a gente ter que apertar o cinto. Comprei outro pro meu pai. Ele veio aqui em casa e ficou hipnotizado pelo quadro dos Beatles atravessando a Abbey Road — foto clássica. Ficou um tempo contando como foi ouvir os caras pela primeira vez. E sim, ele ouviu no lançamento. Enfim, me contou um pouco da história, e eu perguntei se ele queria um, ao que prontamente respondeu que não.
Mas eu encomendei mesmo assim. Vamos ver qual vai ser a cara do velho quando chegar.

Enfim, voltando aos cigarros. Segui pela rua. Hoje estava mais frio, decidi colocar a blusa — mas é aquele frio filho da puta que, sem blusa, é muito frio; com blusa, você fica suando (vou ter que tomar outro banho).
Cheguei na conveniência, o caixa estava meio atolado nas notas, alguns clientes na fila. Sentei em uma cadeira, deixei as pessoas irem embora, e aí pedi dois maços de Lucky Strike. Olhei para a prateleira de cigarros e já vi que não tinha.
Não esperei o cara ir ver se tinha pacotes fechados — ele já tava muito enrolado. Pedi três maços de Winston vermelho. Sim, é uma merda, mas não ia perder a viagem.
Ele pediu desculpas pela demora. Eu falei que estava sem pressa.
Paguei os maços, recusei a sacolinha e fiz o caminho de volta pra casa.

Acendi o penúltimo cigarro do maço que eu já tinha e segui andando.
Durante o caminho, vi um cara coberto até a cabeça, dormindo embaixo do toldo de um comércio. A rua era deserta. Ele podia dormir ali até amanhã de manhã.
Olhei a cena e segui.
Por um momento, parei. Abri um dos maços, tirei uns cinco cigarros, mais ou menos — não contei. Coloquei junto com o maço que eu já tinha, voltei e me aproximei da pessoa.
Ela estava dormindo pesado.
Deixei o maço de cigarros ali e segui meu caminho.
Não sem antes acender outro e voltar pra casa.

Música: Don't Bother Me – Bad Brains

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Cama de casal

Durmo em uma cama de casal não praticante. Do lado em que antes havia alguém, hoje me acompanham um par de fones de ouvido, o controle da TV que quase nunca uso, o controle do Xbox — que não dá muita vontade de ligar quando meu moleque não está aqui —, meu maço de Lucky Strike, algo que deixo esquecido ali, como um laço de cabelo, uma bermuda ou calça jogada. Às vezes, bem raramente, um livro. Ah, e sim, o cinzeiro. Comprei um com tampa, pois era um saco tirar as cinzas de cigarro do lençol depois de bater, sem querer, no cinzeiro (a caneca que a ex deixou). E o celular, sempre à mão, para ver notificações de cobrança, e-mails de spam, e para ter o aplicativo de notas aberto para escrever o que penso — como estou fazendo agora.

A trilha sonora é sempre punk rock, ou algum outro estilo.
Meu quarto virou meu refúgio. Não trouxe ninguém aqui desde a separação — e isso já faz uns dois anos.
E não, não é por coisas mal resolvidas ou saudade.
Eu só não quero trazer ninguém para dentro da minha intimidade física. A mental, algumas pessoas já leem e ouvem por aí, no dia a dia.

Não uso mais a sala. A TV e as coisas estão todas aqui.
Consigo viver em dois cômodos de boa. Não é difícil quando se está sozinho — e com a vantagem da Alexa ter som suficiente pra casa toda.

Interessante pensar que durmo do lado direito da cama e nunca invado o lado esquerdo.
De certa forma, virou instinto natural deixar um espaço para a bagunça, para o vazio — o local onde havia alguém, e hoje há coisas.

Nas paredes do quarto estão meu violão e minha guitarra reconstruída, além de quadros e placas com referências diversas.
Como não fico muito em casa, ela é surpreendentemente limpa e organizada. No fim de semana, dá pra varrer, passar um pano, e tá tudo ok.

A foto do meu filho fica na escrivaninha, sempre virada em direção à cama, pra me ver vivendo como estou — sem filtros.
E pra eu poder, quando acordar, dar um "olá" pra ele todo dia.
Claro, me comunico com ele por WhatsApp, ligação, normal.
Mas queria ele aqui, pra eu poder levar pra escola, fazer dever junto, jogar um pouco — nada grandioso, enfim.

Tô vendo que o cigarro tá acabando.
Acho que vou lá no posto comprar uns dois maços — é mais barato lá.

Música: Fix Me – Black Flag

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Amor sem Justa Causa

É foda. Às vezes você se pega pensando que sua felicidade está vinculada à felicidade de alguém, que você só consegue sorrir quando quem está do seu lado sorri também. Parece que tudo fica uma merda quando a pessoa com quem você convive acorda com a pá virada. A insegurança bate quando a pessoa não te responde logo no WhatsApp, e quando você pensa que sair não é uma opção porque, no fim, sem aquele alguém, você não é nada.

Já vivi esse lado. Provavelmente já fui o outro lado também. Mas essa questão de ficar querendo validação, de ficar colocando o que o outro sente como termômetro do seu dia… tudo isso te joga num mar de insuficiência absurda.

O quanto do absurdo que eu sentia não era meu? Era algo que dependia da resposta do outro. Nossa, quantas vezes eu fiquei me sentindo sob uma pressão imensa… E a hora de cagar ou de tomar um banho eram os momentos em que eu podia ser livre — onde, no banho, a água quente servia como um abraço sem julgamento, sem depender de uma lista de coisas.

Ah, sim. Não posso ficar tanto tempo assim no banheiro, senão fica parecendo que estou fazendo alguma coisa. Fica parecendo que eu realmente estou querendo fugir. E isso magoaria a pessoa. E eu não podia nem sequer chegar perto disso. Não. Eu sou alguém que vai fazer essa pessoa feliz o tempo todo. Não serei nunca motivo de tristeza.

E, com isso, fico triste. Pois algumas das coisas que eu queria fazer não eram ligadas a quem estava comigo — mas não podia.

Enfim. Acho que fiquei dependente da aprovação.

E, depois que você sai disso, fica perdido. Não sabe quem é. Fica aquele misto de “nossa, fazíamos todas as coisas juntos”, e, aos poucos, o concreto que travava as juntas começa a deteriorar e quebrar. E aí você se vê derrotado, sozinho, triste — e com medo de falar sobre isso com qualquer outra pessoa, porque tem medo que tudo comece outra vez.

É bom cagar de porta aberta, sozinho, enquanto fuma.
Comprei um cinzeiro de parede para o banheiro.
A liberdade tem nome. E não, não é o fato de estar sozinho, de boa, sem depender de validação alguma.

A liberdade se chama Lucky Strike enquanto cago.

Música: Infected — Bad Religion

terça-feira, 27 de maio de 2025

Homem não chora

Quantas vezes, depois de fazer uma tremenda merda, ou depois de tudo dar errado, ou depois de me machucar pra caralho durante a vida, eu chorei.

Puta merda. Durante muito tempo, eu tinha aquele pensamento bosta de “ah, não sangre no tanque de tubarões”. Porra, eu não conheço nenhum tubarão! Quem tem interesse no meu sangue escorrendo no tanque?

Mas, durante muitos anos, eu fiquei em silêncio, levando as porradas quieto. Na verdade, não tão quieto. Eu sempre escrevi, sempre foi parte do processo.
Mas, pros outros, eu sempre estava bem. Sempre normal.
Nossa, como ele é forte!”, diziam.

Não sabiam que eu estava quebrado, fodido, torto, com dor, com culpa. Mas não, eu precisava trabalhar, precisava ter algum tipo de armadura pra não ser deixado de lado completamente.
Afinal, quem está mal acaba com a “energia” do local.

Grande coisa, essa energia mentirosa de merda, cheia de expectativas irreais, onde você é jogado dentro e tem que fingir.
Sério: estou de boa comigo mesmo.
Se tiver que chorar, eu choro.
Se tiver que xingar, eu xingo.
Se eu tiver que me isolar, eu me isolo.
E mesmo com tudo isso...
Se eu quiser escrever, eu escrevo.
Se não quiser... bom, foda-se.

Mas homem chora sim. Chora pra caralho.
Os que não choram com as lágrimas escorrendo, com cara feia, nariz escorrendo, choram por dentro da armadura.
Choram da maneira mais doida.
E eu chorei muito tempo assim, onde meus lamentos alimentavam um câncer maior do que a probabilidade do meu câncer de pulmão.

Porra... se eu não posso lamentar, xingar, me mostrar sim como uma criança birrenta às vezes, pra colocar pra fora a frustração... eu faço o quê?
Compro um livro chamado A Sutil Arte de Ligar o Foda-se?

Não. Melhor mesmo é pegar uma bebida, acender o cigarro e chorar.
Lamentar. Ficar mal mesmo, porque as coisas realmente fazem mal — e não temos como controlar isso.

O cheiro do meu Lucky Strike sempre é um conforto pros dias de merda, já que, pelo menos de alguma maneira, eu estou escolhendo uma forma de morrer.

Homem chora.
Eu choro.
Mas prefiro acender um cigarro.

Porque, no final,
eu não ligo.

Música: I Don’t Care – Ramones

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Chato pra Caralho! (Drops)

Puta que pariu, como me irrita aquela coisa de cara ficar colocando poema, frases bonitas, aquela coisa de achar que tudo tem uma profundidade absurda, onde o amor é um blá-blá-blá.

Caralho, será que não dá pra ser sincero de verdade e falar que só tá afim de beijar ou transar com alguém? Ficar com essa de poeta de pau duro é chato demais. “Ah, porque nossa, como a felicidade é algo sensacional, como as flores que…” — ah, que nojo.

E olha que eu não sou um cara amargo, mas também não sou piegas. Sei lá, acho que dá pra ir direto nas coisas, sem ficar editando a persona pra que tudo pareça uma música do Chico Buarque.

“Ah, mas o mundo é muito vazio...” — porra, se o intuito é não ser vazio, por que você fica parecendo urubu em cima da carniça? Por que não deixa o acaso fazer o seu trabalho?

Mas, na boa: que eu não vire um cara assim, porque é chato pra caralho.

Se Cupido existe, o seu já cortou as asas, jogou fora o arco e flecha e resolveu virar CEO de MEI.

Música: Stay Away - Nirvana

domingo, 25 de maio de 2025

Super Ado (Poema)

Os heróis já não me enchem a cabeça
De fantasias de que alguém vá nos salvar.
A minha vida já não é tão minha Tem sempre alguém a me observar.

Agora sou tudo o que eles dizem,
O que insistem em falar.
Eu descobri que Clark Kent não existe,
Então, não importa o quanto eu grite ninguém vai se importar.

Sou apenas um idiota em um lençol vermelho,
Sou apenas uma invenção.
Feita pra ganhar o seu dinheiro
Às custas da sua imaginação.

Sou o oposto de heróis perdidos,
Que vivem duas identidades
Para esconder o que são.
A minha já está bem divulgada
Nas sarjetas da humilhação.

Vivi pensando em ser herói,
Acabo morrendo como vilão.

sábado, 24 de maio de 2025

Preguiça e Nicotina

Tive que comprar cigarros Winston. Não vendem Lucky Strike próximo ao trabalho, e o lugar mais próximo que tem fica a algumas quadras dali.
Não vou gastar o tempo do meu almoço — onde não estou fazendo nada — para ir comprar cigarro mais longe.
Sim, sou um preguiçoso. Tenho direito a uma hora por dia para me desligar de toda a merda.

Mesmo que, ironicamente, eu fique em frente ao computador onde trabalho, escutando as conversas sobre trabalho, poluindo um pouco o som ambiente com a minha playlist do caos, onde só coloquei músicas que remetem ao meu caos interior.

O tempo está mais ameno, o que diminui o barulho do ar-condicionado. Ou será que arrumaram? Sinceramente, não sei.

O pessoal sabe que eu fumo, e comprei um cinzeiro portátil para não ficar jogando as bitucas na frente da calçada da empresa.
Além disso, consigo levar na mochila, deixar tudo certinho — e, de quebra, pude arrebentar a caneca que a ex-esposa deixou aqui em casa, que eu usava como cinzeiro.
Engraçado que, na caneca, estava escrito: “Já disse que te amo hoje?”
Irônico? Pois é.

Essa noite fiquei pensando que poderia jogar um pouco, fazer outra coisa, mas não. Nem liguei a TV. Fiquei lendo um pouco, escutando música — sempre ela, a mesma playlist.

Cara, eu odeio cigarros Winston. Tentei os L&M também, e não dá.
Os Lucky Strike são realmente melhores — até melhores que o Marlboro — porque não deixam aquela sensação de garganta seca, e o cheiro é infinitamente melhor.
Pode até parecer loucura, mas existem diferenças.

Legal como começamos a virar especialistas em banalidades, como o gosto e o cheiro do cigarro que fumamos, já que não se tem muito tempo pra virar especialista em alguma outra coisa.
Mas, no canal do YouTube ou no perfil do influenciador com temática financeira, você precisa trabalhar enquanto eles dormem, precisa abrir uma carteira de investimentos.

Enfim, meu salário praticamente acabou.
Vou ter que ir comprar cigarros mais longe, porque a conveniência onde eu compro aumenta de dois a três reais cada maço.
Então é melhor andar um pouco e já comprar uns três, economizando de sete a nove reais.

Mas até lá...
Melhor acender um Winston.

Música: Amoeba – Adolescents

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Match?

Passando para a esquerda, foto em academia, em vários lugares do mundo, em bares e restaurantes caros... o que alguma dessas pessoas tem a ver comigo?

Um cara que tem todas as fotos fumando, com o plano de fundo do trampo, que só consegue usar uma camiseta diferente na sexta-feira do no dress code... mas eu me divirto com o estudo antropológico que são os aplicativos de relacionamento. Obviamente não pago por plano premium — prefiro comprar uma camiseta ou um jogo. Bem mais divertido a longo prazo.

Mas aí eu me pergunto: porra, o que eu tô fazendo nessa merda?

Ah, para, vai... você não acha que consegue viver sem nenhuma validação, nenhum interesse, nada de poder se sentir um pouco interessante?

Mentiroso do caralho. Você tem a mesma necessidade de todo e qualquer ser humano: por conexão. Nem que seja um like. A diferença é que você dá risada se tem um like — e dá mais ainda se não tem. E essa é a sua liberdade.

Você gosta das coisas, mas não se mede por elas. E aí fica pensando nelas em meio ao horário de trabalho:
— Nossa, por que você não arrastou essa pra direita?
— Ah, não tem cara de quem aguentaria um Lucky Strike e um rolê baixo custo.

Porra, mas isso é machismo?

Claro que não. Eu não estou rejeitando pessoas pelo gênero delas. Eu estou me rejeitando a cada pessoa que eu penso que nunca curtiria nada do que eu faço ou sou.

Entende a diferença?

Mas aí é que tá a grande sacada: o jogo social me cansa muito. Mas isso não quer dizer que, às vezes, não seja legal jogar. É simples: ninguém é tão antissocial que não precise de um pouco de ação comum.

Interessante esse pensamento vir na minha cabeça durante a hora do almoço de uma sexta-feira. Porque talvez isso seja o sintoma de que eu precise sair pra tomar umas e me desligar de mim mesmo.

É... tá foda.

Música: Should I Stay or Should I Go – The Clash

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Entre o Presente Passado e o Passado Presente

Queria montar uma banda, fazer um barulho. Nada de querer ficar tocando nos lugares, se organizando para apresentações. Não. Eu queria ter uma galera pra poder tocar, tomar cerveja e ficar bêbado nos ensaios, enquanto tocamos algumas músicas próprias e alguns covers mal feitos.

Mas é foda. Esse meu horário me faz ficar sempre trabalhando quando as pessoas normais já estão de folga, e eu fico de folga quando as pessoas estão trabalhando — o horário nunca casa.

Tem outro problema: a maioria das pessoas quer ser foda, rockstar, quer se apresentar com algo completamente absurdo de bom, tapinhas nas costas dizendo: “Nossa, vocês são do caralho, vamos gravar um álbum!”. É foda. Eu só queria fazer barulho.

Fico pensando, escrevendo, tendo ideias pra som. Mas, no fim, o dia de descanso que eu tenho, eu acabo tendo que escolher entre viver ou descansar para, no outro dia, voltar à rotina do trabalho.

No final, eu pego alguma backing track e toco por cima. Não tem muito mais o que fazer do que isso.
— “Ah, é preguiça!”
Porra, sim! É claro que é preguiça. Tenho que ficar vivendo entre egos todos os dias, ainda ter que montar uma banda onde vão querer se mostrar e ser a nova salvação do rock?
Ah, não. Não dá. Eu tô cansado. As coisas vão engolindo você pouco a pouco, a cada ponto batido no trabalho, a cada cliente filho da puta que vem me chamar de tudo quanto é nome porque não tá conseguindo carregar os stories na velocidade que quer.

Lembro da primeira vez em que toquei em um palco. Estávamos todos nervosos. Eu era o guitarrista e vocalista, porque no primeiro ensaio da nossa vida ninguém teve coragem de cantar nada. Eu fiquei irritado e peguei o microfone.

Voltando ao dia do primeiro som: era Dezembro de 2002. Íamos começar com Papai Noel Velho Batuta, dos Garotos Podres. Subimos no palco, ligamos os instrumentos, e naquele momento o som da guitarra ecoando em um lugar maior que uma garagem me pegou.
Por um momento o mundo ficou em câmera lenta. As pernas tremendo, a respiração rápida, o microfone na minha frente. Toquei de leve as cordas da guitarra e o som da distorção me bateu nas costas. E, ao mesmo tempo, fez com que as pessoas que estavam no local parassem de conversar entre si e virassem na nossa direção pra ver quem eram os moleques que iriam se apresentar.

Aquele momento foi um dos mais tensos da minha vida, e todos estavam esperando eu falar alguma coisa. Então cheguei perto do microfone, respirei fundo:

— Essa é a Mystery Machine. Se vocês gostarem do som, beleza. Se não gostarem, vão tomar no cu.

Os primeiros acordes vieram como um instinto, e o grito “PAPAI NOEL, FILHO DA PUTA!” ecoou. O som saiu. Sete músicas em quinze minutos.
Não tínhamos mais músicas, não sabíamos mais covers. E quando terminou o som, o baixista estava sem um tênis — que saiu voando e foi parar no meio da galera. O outro guitarrista todo suado, porque além de tocar, teve que por muitos momentos parar pra segurar a bateria, que andava pra frente a cada porrada do baterista.
E eu ali, mais uma vez na frente do pessoal, que estava com um ponto de interrogação sobre o que iria acontecer:

— Acabou.

Desliguei minhas coisas, desci do palco correndo, dei um gole na minha cerveja, acendi um cigarro e fui embora.

Música: Papai Noel, Velho Batuta – Garotos Podres

quarta-feira, 21 de maio de 2025

O Divorcio

O divórcio saiu, agora sou oficialmente um cara solteiro, pelo menos juridicamente.
Mas é engraçado como, quando as coisas tomam um fim definitivo, a gente se pega pensando no que aconteceu, nos motivos que levaram ao fim.
E não, eu não lembro com inconformismo ou com nostalgia — só penso mesmo. E não na culpa da minha ex-esposa, mas sim na minha, no que eu fiz para chegar a isso. Não me martirizando, mas tentando entender o todo, para que eu não cometa os mesmos erros, sei lá.
Acho que todos nós pensamos no fim de algo com um viés derrotista ou com uma nostalgia barata de algo que não aconteceu. Ou começamos a lembrar que nem tudo foi ruim — isso é normal, e eu já passei dessa fase.
Eu tenho amizade com a minha ex-esposa. Ela me deu meu maior presente: meu filho. E ele está acima de qualquer coisa.
Não teve aquela briga de egos, de quem ganhou e quem perdeu. Todo mundo perdeu, mas, ao entender isso, de alguma forma todos nós ganhamos.
Óbvio que no início foi tudo muito ruim, pesado, uma verdadeira derrota. Falei dessa jornada de redenção em outro texto, Cigarros, Cachaça e Redenção, onde eu me senti sozinho, com uma conta de todos os erros.
Não, a conta não foi paga, e não deixei de me sentir sozinho. Mas, sei lá... agora é outro contexto. É o contexto do fim documentado de algo que foi um sonho, que foi uma expectativa absurda, uma jornada gigante, cheia de sentimentos e atitudes nem sempre legais e felizes — mas que também tiveram isso.
Pode parecer que eu esteja querendo dar uma moral da história enquanto escrevo, mas não. É só isso mesmo: as coisas mudam a fase de estar, e continuarei errando em um monte de coisa. "Nossa, ele não tem a intenção de errar, mas erra" — e isso é humano.
No final, estamos seguindo em frente. E a vida segue, independente se queremos isso ou não. E eu continuo fumando meu cigarro, me sabotando, falando que esse fim de semana eu vou sair, e no final acabo comprando uma camiseta, algo pra colocar no quarto, qualquer merda — e a vontade de ficar em casa jogando algum jogo legal, isso num fim de semana igual a esse, em que meu filho não vem pra casa.
Cheguei à maturidade cansada dos que são engolidos pela rotina e perdem as coisas aos poucos, e, a conta-gotas, tentam se manter minimamente estáveis para não acabarem virando uns babacas com toda a humanidade, só porque a humanidade foi babaca com eles.
Sozinho em casa, as vantagens são poder cagar de porta aberta, assim como tomar banho de porta aberta, fumar tranquilamente dentro de casa e poder fazer o meu nada com um tédio libertador.
Quanto à questão de continuar?
Bom, eu preciso ter vontade de deixar o acaso fazer o trabalho. Mas, no momento, eu quero só que se foda mesmo.

Música: Serve the Servants – Nirvana 

terça-feira, 20 de maio de 2025

A Madrugada

A madrugada: o momento onde a maioria dorme, onde alguns trabalham, onde outros têm insônia e onde as ansiedades podem começar.
Eu gosto das madrugadas — não quando estou insone e ansioso, mas quando estou tranquilo com meus pensamentos. Esses que não aparecem durante o dia; o pudor do dia não me deixa pensar coisas que na madrugada surgem.
Não, não são pensamentos sujos — esses eu tenho durante o dia, durante a rotina que silencia a ação. Durante o dia eu tenho vontade de mandar as pessoas irem tomar no cu. Durante a madrugada, não. São só fluxos de pensamentos existenciais, como esse que você está lendo agora.

Pensando na minha hipocrisia porca de me sentir sozinho, ao mesmo tempo em que passei os últimos dias sem realmente querer conversar com ninguém.
Apenas pensamentos. Não o overthinking da ansiedade — apenas pensamentos.

Meu filho não vem este fim de semana, o que me deixou meio pra baixo. Porra, como é vazia a minha vida sem a perspectiva dele vir.
Mas há coisas boas. Comprei as luzes pra casa, já que, bem no fim do mês, quando o dinheiro já tinha acabado, as lâmpadas do quarto e do banheiro queimaram — e tive que esperar até o quinto dia útil pra comprar novas.

Entende? São apenas pensamentos soltos, que no silêncio do mundo ganham algum poder de me fazer perder no espaço-tempo.
Como uma viagem no horizonte de eventos de um buraco negro — a calmaria antes do caos.
Eu estou desanimado esses dias. Mas tudo bem. Estar animado e de bem todos os dias é loucura, muito maior do que pensar que eu tomo remédios pra controlar a ansiedade e dormir melhor também.

A madrugada é onde me lembro do passado, de tantos momentos em que fui absolutamente deplorável em certas situações.
A madrugada é onde eu penso no que o futuro reserva — não com aquela pergunta “e se tal coisa?”, não. Apenas pensando, de forma despreocupada.
E também, na madrugada, é onde eu fico de certa forma em paz com o presente, onde sinto meu corpo pesando no colchão e tentando descansar para a nova rotina que começa em algumas horas.

Alguns textos, eu penso, sou mais agressivo, mais cru, mais visceral. Este não. Este são apenas pensamentos colocados no papel.
Deu vontade de escrever sobre qualquer coisa. Então, sobre qualquer coisa eu escrevo.

Vou acender outro cigarro — já que a cada tragada é um momento a menos de vida que eu ganho e um momento a mais comigo mesmo que eu perco.

Seguimos.

Música: Smoko – The Chats

segunda-feira, 19 de maio de 2025

O Verdadeiro Show

O verdadeiro show acontece abaixo da linha do palco, além da área VIP, passando pelas bilheterias.
O verdadeiro show é no ambiente aberto, com o cheiro da hipocrisia, no seio da desigualdade, nas ruas e calçadas, nos ambientes de trabalho.
A música que é mais ouvida é o silêncio dos que choram; o verdadeiro Oscar é dos atores e atrizes que encarnam seus papéis sociais sem um estranhamento no fundo da consciência; na dança daqueles que sambam para o dinheiro durar até o fim do mês; naqueles que escrevem errado a certeza de que não serão lidos, nem ouvidos.
O show não está naqueles astros que não representam a humanidade. Não está na casa gigante do influenciador, nem nas frases de efeito dos filósofos pop.

Vão se foder todos vocês.
A arte não pede para ser vista.
A arte é o comum, é o trivial.
A arte é a vida longe do glamour e da popularidade.

Vão para o inferno todos aqueles que dizem saber do que estão falando — inclusive esse que aqui o diz agora.

O verdadeiro palco é o viver sendo suprimido por toda a arte que tenta moldar um padrão, onde os que sentem não são vistos, e os que já sabem que não serão salvos não pedem perdão.

Música: Stain - Nirvana

domingo, 18 de maio de 2025

Reconstrução em Mi Menor

Depois de muito tempo olhando para o espelho e não reconhecendo a imagem que eu via, sigo para o quarto e vejo ela lá, toda destruída, sem atenção: a guitarra.

Com marcas de batidas, tinta lascada, pedaços faltando. E aí penso: talvez seja isso que eu não esteja reconhecendo em mim — esse abandono. Colocando tantas coisas como prioridades, acabei virando um móvel estranho dentro da casa, onde a função — que é emitir algum som — não está mais presente.

Decido, então, que vou reformar a guitarra e não olhar para o espelho durante o processo. Anoto as peças que estão faltando ou quebradas e vejo o preço de cada uma. A pintura vai ficar essa mesma. As marcas são histórias — e histórias têm que ser mostradas de alguma maneira.

O dinheiro que recebo em um mês não vai dar conta de arrumar tudo, então coloco prioridades e vou comprando uma peça a cada novo pagamento recebido. É uma espera em que a ansiedade, às vezes, vem. Às vezes, dá lugar a um desânimo que me faz pensar: acho que fui tapeado.

Não. As primeiras peças chegam. Guardo-as com cuidado no meu guarda-roupa e decido que a guitarra ainda ficará lá, do jeito que está. Só irei mexer nela quando estiver com todas as peças.

Outras peças chegaram. Será que comprei certo? Não sei. Mas, enfim, vou seguindo meu plano. E, como um otimista, eu compro as cordas — ah, sim, a última parte, a que realmente dá significado. Mesma marca que comprava anos atrás, quando a fúria da juventude embalava os acordes simples de um cara que adora punk rock.

Decido, então, que todas as peças estão em casa. Vamos montar. Coloco a TV para passar qualquer coisa, apenas um barulho — não quero música, não nesse momento. Está tudo mudo, só o som das palavras que não entendo na TV.

Montei. Nossa, as peças couberam. Consegui montar. Vamos colocar as cordas. Momento de tensão, porque tudo que coloquei de novo na guitarra pode quebrar com a tensão das cordas. Porém, nada acontece. Apenas uns estalos — mas é tudo se acomodando novamente.
Não vou tocar ela agora. Vou apenas afinar de maneira básica, para deixá-la pronta. Vamos esperar um dia, para ver se ela não explode encostada ou se perde a afinação.

Para minha surpresa, no dia seguinte, antes de ir ao trabalho, ela está lá, olhando para mim, com todas as peças no lugar. Passo os dedos nas cordas — perdeu um pouco da afinação, mas nada anormal.

Trabalho pensando nisso, e contente comigo mesmo. Tirei fotos, enviei para pessoas. Ela está viva!
Volto do trabalho. Decido que vou tocar. Perdeu um pouco da afinação mesmo, mas ok, era esperado. Afino e começo a tirar alguma coisa aleatória. Meus dedos doem — perdi os calos —, mas seguimos.
Aí penso: poderia colocar alguma distorção. Mas não tenho cabo, não tenho amplificador ou local para ligá-la.

Mês que vem comprarei uma pedaleira, onde posso colocar o fone de ouvido. Ah, mês que vem não dá, já estou sem grana. Deixa para o outro.
Mas a guitarra está lá, inteira, com sua função ok.

Comprei o pedal. Tirei alguns sons. Sim, eu ainda sou capaz disso. Que maravilha! Agora é fazer com que ela fique mais minha.
Adesivos — sim, muitos adesivos. Vou fazer com que a cor da guitarra não seja mais vista, e sim todas as minhas influências. Tudo o que eu julgar legal.

Faço isso, ao mesmo tempo em que volto a me olhar no espelho e rever um velho amigo: você está aí. Sempre esteve. Só precisava trocar algumas peças, né?

E assim começou a reconstrução. A jornada de volta ao eu. Ao que eu gosto. Ao que eu sinto. E ao som que eu emito.

Música: Punks Not Dead – The Exploited





sábado, 17 de maio de 2025

Texto Editado

A moeda social, os likes, o engajamento, a visibilidade, a tentação de não ser invisível, de poder dizer algo que gera identificação.
A minha bolha, os meus, os que curtem cada postagem. Ah, o ego… como, em um mundo invisível, ele faz tanta diferença?
Em meio a uma cagada na privada, uma performance, uma selfie, um pensamento aleatório que vai com a descarga, para no final irmos dormir com aquele que não é editado, aquele que não é por inteiro, aquele que ficou bem em uma foto quando estava mal pra caralho.
Os afagos descartáveis, a minha melhor versão, aquele que produz, aquele que gera conteúdo, aquele que faz do vazio a obra-prima.
A solidão… bom, essa eu performo falando na minha rede social, onde muitos veem, mas ninguém ousa dizer que também é errado, que também é podre, que também é incoerente, o que foi tóxico para os outros e para si mesmo.
A moeda social dos que, de tão pobres, só têm dinheiro. Vista instagramável, trabalho edificador, conteúdo intelectual acima da média, noção política ímpar, um texto fora da curva, um fluxo de pensamento sagaz — o mesmo pensamento que te deixa sozinho no fim do dia, o mesmo pensamento que afasta o real, mas promove o virtual.
Um pedaço do algoritmo, não como eles, mas como todos os outros. Analfabeto funcional na questão de sentir. Quem me conhece sabe, sabe que eu sou pior que edito, sabe que eu falho quando todos acertam. Mas meus seguidores… ah, esses me entendem, esses realmente sabem que eu seria incapaz de um erro tão humano.
E talvez, após tudo isso escrito, eu seja só um treinador de algoritmo, um alimentador de IA, um pedaço de carne que acha que faz diferença no meio de tantos iguais.
É… pensamentos desconexos e caos escritos de forma bruta, sem filtro. Por isso, o que você está lendo pode não fazer sentido — porque não faz sentido pra mim você chegar aqui, ler a minha mente exposta e dizer “eu entendi”.
Porque, no final, não entendo porra nenhuma.

Música: Teenage Lobotomy – Ramones

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Gambiarra Existencial

Sempre fui um poço de expectativas frustradas, tanto minhas quanto dos outros, e não tem nada melhor que isso, porque, em meio a tanto quebrar o que as pessoas pensam, eu pude pensar por mim mesmo.

Não sei se está certo, não sei se está errado, mas só penso, digito, enquanto cago, entre um atendimento ou outro, sei lá.
Eu já tentei caber demais no mundo das pessoas, e aí fiquei cada vez mais distante de mim mesmo. Porra, eu só quero ser um pai legal para o meu filho — não o perfeito, mas um cara legal. Um pai, não uma entidade, não um ator, mas um cara que ensina todos os palavrões possíveis para o moleque e deixa ele livre para usá-los em casa.
Já fui humilhado, já me subestimaram, já me superestimaram, já tentaram me colocar em um local onde eu não queria estar, porque, no final, o legal é ser porra nenhuma mesmo.
Eu não me vendo como um cara foda, um cara legal, até porque não sou. Porra, que merda é essa de você fazer uma coisa certa e isso ser colocado como modelo para as coisas? Tá todo mundo maluco, incluindo eu.
A minha vida é uma eterna gambiarra, colando os pilares com cuspe e chiclete, enquanto bebo cerveja e fumo meu Lucky Strike.
Demorei pra caralho para conseguir entender alguma coisa, e vi que não entendi nada — e continuar sem entender é o que me faz poder rir da merda do caos enquanto espero o meu moleque chegar em casa.
Se algum dia eu for intencional no que eu escrevo, ou se algum dia eu estudar para escrever, para engajar, para fazer as pessoas ouvirem, podem me internar, porque aí eu sucumbi às expectativas de quem me acha, de alguma maneira, um cara foda.
Ou pior: um Homem de Valor!
(Se isso acontecer, me deem um tiro.)

Música: Lexicon Devil – The Germs

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Lixo, O Luxo Cultural!

Texto de 2012


Faz algum tempo que vemos na TV e na música as mesmas coisas. Nada de novidade. Mentira — novidades temos muitas, mas realmente significantes, nenhuma. Letras de música sem sentido algum, programas de TV que não dizem nada, pessoas que não tiram a bunda do sofá. YouTube.

Claro, toda essa merda sempre esteve aí. A diferença é que juntaram todas em uma privada só — e todos podem ver, curtir, ouvir, compartilhar, propagar. Normal.

Eu realmente não acho errado, por exemplo, um cantor ganhar dinheiro fazendo sons com a boca, que se encaixem em rimas imbecis. O povo gosta, então vamos dar isso pro povo. O que realmente me deixa triste é pensar que estamos tão acostumados a viver no lixo cultural, que quando aparecer algo realmente bom, as pessoas tenham atrofiado o cérebro a ponto de não reconhecer mais.

A culpa não é de ninguém, a não ser nossa — que compartilhamos imagens e pensamentos no Facebook, e mostramos a preguiça mental que temos. Já que compartilhar algo é mais cômodo que pensar em algo. As revoluções de sofá, aquelas em que derrubamos governos sentados confortavelmente em nossos lares. As raças de seres humanos cuja única coisa que pensam é no “vem ni mim sexta-feira”. Os que desafiam o mundo com seu intelecto superior, mas conjugam verbo usando “mim”.

Não, eu não acho errado fazer dinheiro com o comodismo das pessoas, com a falta de critério delas. Até porque, se pararmos para pensar: merda é adubo... e, nesse caso, alguém tem que crescer.


Musica: A Comercial - Dead Kennedys (musica adicionada em 2025)



quarta-feira, 14 de maio de 2025

Hora de Acordar!

Quantas vezes eu já olhei para o espelho e não me reconheci, fiquei pensando em que merda é essa que está aparecendo?

Ainda acontece hoje, ainda olho para o espelho e não me vejo, me sinto bonito, penso "nossa, que sensação boa", e isso não é normal.
Mas aí eu corro para a autossabotagem, acendo o meu cigarro e me coloco a entrar no ritmo de trabalho, onde eu tenho que escovar os dentes, tomar um banho (odeio pensar que estou fedendo), não pentear o cabelo, separar a camisa do uniforme e, aos poucos, voltar ao normal, como colocando o traje espacial para uma caminhada fora do seguro, fora do local onde a garantia de vida é maior.
A calça e o tênis são os mesmos faz uma semana, não tenho que parecer bonito, tenho que parecer funcional, e assim toda aquela estranheza do acordar bem vai sumindo e dando lugar ao que realmente importa: sobreviver mais um dia.
Talvez uma foto? Para parecer um cara que não liga pra porra nenhuma, enquanto liga pra caralho em não chegar atrasado.
Enfim, sigo o ritual da normalidade forçada, coloco o tênis, percebo que a sola está descolando. Nenhum tênis legal é feito para andar. Eu vou e volto do trampo a pé, e parece que os tênis não foram feitos para isso. A caminhada a pé sem ser para postar como cuido da saúde não vale.
Pare, volte para o ritual da normalidade. Coloque a blusa na mochila. Já dobrei tantas vezes que agora só enfio ela dentro da mochila e tá bom, vou usar só à noite mesmo.
Tomou seu remédio? Se não tomou, é melhor tomar. Os dois que a psiquiatra prescreveu para a ansiedade não passar do nível "ficar mexendo as pernas sem parar".
Quase tudo ok. Não tomei café da manhã, mas é normal, desconto para ter um tempo a mais na cama ou no banho. Aliás, banho quente, porque esse papo de coach de tomar banho gelado é coisa de babaca. Tem que ser um banho quente, confortável, pois as próximas 12 horas serão de puro suco de rotina — esse sim, frio e também coisa de babaca.
Bom, chegou a hora. Melhor conferir se o celular está no bolso? Ok, ele está sim, com a tela trincada, mas foda-se, vai ser usado até a hora que parar. E o mais importante: pegue a mochila, confira se o cinzeiro portátil está lá, o isqueiro ainda funciona e tenho cigarros que duram até a hora do almoço.

Acho que é isso. Acho que está tudo uma merda, ou seja, tudo normal.

Até a noite!

Música: Broken Toy – SNFU

terça-feira, 13 de maio de 2025

O dia clareou!

O dia clareou, porém, apesar da falta de sono, o cérebro trabalha de uma maneira lenta e preguiçosa, como se ele estivesse apenas com algumas partes adormecidas, mas não o suficiente para você desligar e poder fechar os olhos e dormir.
Não entendo por que estou assim. Eu já estava acostumado, mas me pergunto se o remédio parou de fazer efeito.
Enfim, seguimos pensando — ou tentando não pensar. O problema é que eu entro meio-dia no trabalho, e vou passar o dia todo atendendo telefones e WhatsApp de clientes que dormiram bem só para terem mais vigor em me xingar por um problema pelo qual não tenho nenhum controle.
Mas voltemos ao agora, aos pássaros cantando, aos meus olhos que, apesar de pesados, não fecharam por um momento sequer.
Tentadas várias posições, músicas para relaxamento... puta que pariu, dormir de fone é uma bosta. E, além disso, uma propaganda de Advil no meio do som de chuva não ajuda a dormir.
As próximas horas serão tensas. Penso eu que todos que passam a noite em claro têm esse problema nas primeiras horas da manhã: estar tudo em marcha lenta — e não no sentido bom, mas sim no sentido em que, porra, eu tô pensando na velocidade normal, mas tudo tem preguiça junto.
E ainda continuo pensando: por que será que a porra do remédio não fez efeito?

Não fiquei assistindo, não fiquei no celular, não fiquei lendo. Tentei realmente dormir, mas, a cada cinco minutos, uma frustração: o sono não embala, não vem — não, pelo menos, da maneira que precisa.
Não tenho álcool em casa, não costumo beber, o cigarro acabou, quinto dia útil ainda tem uns dias pra chegar.
Fodeu. Mas por que o remédio não fez efeito?

Enfim, no final até isso vira um texto, porque não dá pra fazer outra coisa quando o sono não vem.

Por que o remédio não fez efeito?

Vou ter que avisar a psiquiatra que a insônia tá ficando mais frequente.

Música: Watermark – Enya

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Preciso sair para beber

Tô precisando beber — mas não beber em casa, no conforto do lar. Tô precisando beber na tranquilidade da área de fumantes de um barzinho qualquer.
Aquele cheiro de cigarro, cerveja e perfume de mulher que eu sinto saudade. Os papos aleatórios com quem você acabou de emprestar o isqueiro.
A respiração tranquila depois que o álcool faz efeito, a ponto de não ligar que está arrebentando o pulmão.
Tô precisando correr o risco de ficar alterado em um ambiente não controlado, onde eu coloco à prova a minha fobia social.

Tô precisando ter um motivo pra usar uma camiseta que não seja o uniforme — não pra ser percebido pelos outros, mas pra eu me perceber.
De tantas camisetas legais que eu comprei, só uso na sexta e no sábado, quando o "no dress code" me permite uma rebeldia maior.

Preciso sair de casa pra ver um pouco de vida além dos clientes que atendo, dos colegas de trabalho, das obrigações profissionais.
Preciso sair de casa pra respirar a fumaça de cigarro de um lugar diferente.
Ver a cidade além do percurso do trabalho.
Ver que a janela da minha casa não é o limite do mundo onde eu posso transitar.

Preciso sair de casa, nem que seja sozinho.
Nem que eu beba e fume sozinho.
Nem que eu não fale com ninguém durante a noite.
Nem que eu gaste pouco com bebida e não fique bêbado.
Nem que eu volte fedendo a cigarro e com a roupa cheirando a cerveja.

Preciso viver um pouco além do que estou fazendo no momento.
Preciso ter mais ideias pra escrever enquanto observo as coisas acontecerem fora da minha rotina.
Nem que seja por algumas horas.

Preciso sair de casa pra dar uma chance ao acaso.
Preciso sair de casa porque aqui dentro as palavras estão se esgotando.
E ficar falando sozinho aqui é uma loucura maior do que pensar que eu posso ser alguém fora da rotina.

E o pior é que eu não preciso de porra nenhuma disso...
Pra precisar pra caralho disso tudo.

Música: Rotina – Inocentes

domingo, 11 de maio de 2025

Meu Pedido Veio Errado!

Imagine a cena:

Uma pessoa chega em um drive-thru qualquer para pedir o que vai consumir:

— Gostaria de alguém que curta as mesmas músicas que eu.
Que entenda tudo que eu fale.
Que goste das mesmas coisas que eu gosto.
Que me responda na velocidade que eu achar apropriada no dia.
Que possamos viver um amor sincero, daqueles em que a pessoa é louca por mim.
Daqueles que poderiam virar um filme ou uma série.
Que possamos viver juntos e felizes para sempre.
Onde eu sempre serei respeitado(a).
Onde o amor seja acima de todas as coisas.
Onde todos os meus planos sejam realizados.
Que seja alguém que me apoie em todas as coisas.
Que me dê conforto quando eu estiver mal.
Que me trate como alguém especial.
Que me prometa e sempre cumpra.
Que escreva músicas e poemas para mim.

Pois é.
É interessante como as coisas podem parecer estranhas quando escritas.
Talvez seja por isso que eu ainda prefira uma noite de sexo casual sincero do que uma vida de amor doentio e desigual.
Até porque eu já vivi o amor todos os dias — e fui insuficiente em todos eles.
Já fui os dois lados: o que cobra e o que é cobrado; o que destrói e o que é destruído.

Porém, a minha vida é um drive-thru aberto — aceito pedidos.
Mas muitas coisas já não existem mais em estoque.
Posso amar por uma noite ou por uma vida inteira.
Só não peça o combo, porque fast food faz mal.

Pare em uma conveniência superfaturada e pegue algo com melhor valor nutricional.

Música: I Wanna Be Your Boyfriend – Ramones

sábado, 10 de maio de 2025

Quem paga o date?

Aquela discussão chata: quem paga a conta do date?
Um papinho furado que, no final, é perpetuação da estrutura machista travestida de cavalheirismo.
Todo mundo reclama sobre esse assunto e tá todo mundo sozinho, criando muros, regras e barreiras absurdas pra sair, tomar um café e bater um papo.

O que me intriga mesmo é que, porra, se você vai sair com alguém, no mínimo as duas pessoas têm que saber das condições financeiras uma da outra — pelo menos no momento do date.
Estamos numa sociedade toda fodida em todas as coisas, que no final ficam querendo performar.

Não tô falando pra não escolher, nem nada disso.
Eu tô falando: porra, conversem!
Todos os papos relacionados a quem paga o date ficam naquele “meninos x meninas”.

E, claro, trazer isso pra um debate raso vai gerar engajamento.
E isso vai ter o quê?
Um monte de macho idiota defendendo a própria posição pra se afirmar como homem de valor, como o alfa.

Todo mundo tem momentos fodidos na vida — aliás, que são maioria —, mas e aí?
Você vai se trancar no quarto, vai viver o desespero de estar fodido em todas as suas camadas, ou vai conversar com alguém legal e falar:
“Porra, eu tô com a grana curta, podemos ir comer um podrão e tomar uma Turbaina?”

Se a pessoa falar “Demorô” — bom, já é um date legal antes de ir.

Música: One Way or Another – Blondie

(Isso não é sobre gênero. Isso é sobre vocês baterem papo antes de se encontrarem, caralho.)

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Texto para não ler!

Eu quero passar longe da identidade de artista, essa classe onde estão os deuses do bom gosto, os verdadeiros sentimentais, aqueles que enxergam mais do que nós, mortais, que simplesmente estamos nos fodendo, fazendo o que dá, enquanto nos dopamos com uma incoerência crônica.
Esses seres iluminados, validados pelos intelectuais, donos do conhecimento.
Não, não quero estar entre esses, e, se possível, nem passar perto. Prefiro estar entre os malditos, a ralé, aqueles que têm suas vozes silenciadas pelos ditos poderosos.
Prefiro mil vezes ser um hipócrita real do que um auto-intitulado artista, aquele que se diz fazer algo tão diferente que precisa que todos vejam, que deem likes, que validem.
Quero estar entre os comuns, onde a vida realmente acontece, onde as frases mais pesadas não viram post de Instagram, capa de almofada ou pintura na sala do burguês.

Engraçado que, ao escrever tudo isso e colocar nesse blog, eu estou colocando a merda toda escrita, o cheiro do esgoto narrado — mas com um grande diferencial:
Eu quero que se foda!

Não há nada mais libertador do que conseguir escrever e não se amarrar nas regras do saber, no lirismo da poesia, na arrogância do querer.
Talvez por isso eu possa ser odiado pelo texto, mas ainda serei eu.
Não estou dizendo que tem que acabar com os artistas, muito menos acabar com a arte — só estou dizendo que vejo muito mais arte em quem tenta ser quem é, mesmo que não seja merda nenhuma, do que em alguém que queira que alguém o valide para o mundo.
Ser um produto da histeria coletiva ainda é ser só um produto, que até pode ser lembrado daqui muitos anos, mas ainda será um produto — e só terá valor se puder ainda estampar a capa de uma almofada brega na casa de quem quer passar que é absurdamente letrado, intelectual e diferente por isso.

Esse texto não é fruto de raiva, nem de niilismo barato.
Esse texto é fruto apenas da minha imaginação.
Que, no final das contas, só tem valor aqui, nesse contexto, e na minha cabeça, onde ele fica silenciosamente sendo aba para a luz daqueles que se consideram sol.

Música: Pub Feed – The Chats

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Diário de um Fantasma Funcional

Mais um dia aqui em meu posto de trabalho, escutando as teclas do teclado — minhas e dos colegas — enquanto fico ouvindo música, escrevendo, pensando, girando meu fidget spinner, mas sempre observando, ouvindo.

Sou mais velho que o pessoal aqui. Eles todos têm 20 e poucos anos, e eu, já com 39, fico sendo o contraponto: o cara que passa a maior parte do tempo em silêncio e, às vezes, entra em um assunto ou outro. O clima é muito amistoso, o que realmente faz com que minha ansiedade fique tranquila a maior parte do tempo.

É interessante como as dinâmicas mudam conforme a idade. Eles estão envoltos em sonhos, metas, vontade de ser social o tempo todo, enquanto eu carrego meus pensamentos e cansaço em silêncio. Não vou julgar o trabalho de ninguém, no final, isso é o ganha-pão de cada um, e cada um trata isso da maneira que julgar certo.

Mas isso não impede de ver como as preocupações são diferentes. E aí você começa a entender que as coisas nunca são tão simples — existem camadas de vivências que só o tempo pode dar.

Algo que mostra isso: o pessoal aqui, em sua maioria esmagadora, vai à academia na hora do almoço. Eu, geralmente, não almoço. Fumo uns dois cigarros no período de uma hora e volto para o local de trabalho para ficar lendo alguma coisa, vendo meu Threads ou pesquisando algo que tenho vontade — mas que é uma merda procurar no celular (não, eu não tenho nem desktop nem notebook em casa).

Sou consultado às vezes em algum assunto mais complexo, e já consegui expor muitas das coisas que penso sem ser julgado por isso.

Entre clientes chatos e um trabalho absolutamente maçante, consigo, a conta-gotas, ser eu mesmo — tanto no silêncio quanto na ausência. Isso, no final do dia, me dá a certeza de que, mesmo fodido, ainda consigo ser funcional. Social.

A vida da galera com 20 e poucos anos parece um roteiro paraguaio de Malhação, mas não julgo. Só dou risada e fico pensando como eles se sentirão quando passarem para um roteiro de novela das nove, escrito por um novato que não sabe como escrever algo que faça sentido.

Música: Nice Day To Go To The Pub – Cosmic Psychos

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Solidão - Versículo 2

Queria ter alguém para conversar sobre todas as coisas da maneira mais aberta possível até altas horas da noite, sem ser julgado.
Mas, no final, o que eu tenho são apenas respostas esporádicas no WhatsApp, quando se lembram que eu existo ou quando elas se sentem inclinadas a fazer a ação de me deixar um pouco na expectativa de que alguém se importa.

Ah, meus amigos que não vão ler isso, esse é o lugar onde terão os meus maiores pedaços, meus pensamentos, minhas coisas. Se um dia for interessante para alguém, lembrem-se desse lugar.

Minha vida se tornou isso: fazer não mais que a obrigação, se sentir cansado todo dia, sem ânimo para ser mais, não por mim, mas por ninguém. Sei lá, às vezes acho que não posso ser um cara que tenha muito sucesso, muito dinheiro, porque eu provavelmente não seria respeitado. Por quê?
Bom, porque eu provavelmente seria insuportável, não porque eu seria ruim ou algo do tipo, mas porque eu simplesmente não utilizaria isso para passar por cima de ninguém, para tomar uma posição de poder, somente seria eu.

Não sei, é algo que eu nunca vou saber.

Hoje não vai ter música, não vai ter um som para complementar isso. O único som que vocês vão ter é o mesmo som que eu recebo toda vez que eu espero algo em troca.
O silêncio, o descaso, o "estou ocupado demais", o "desculpa por não ter respondido durante todos esses dias, é que eu estava pouco me fodendo para isso".

Mas sabe o que é legal?
Eu pelo menos consigo escrever bem, e fazer letras de música que todos se identificam, mas ninguém me identifica.

Boa noite.

terça-feira, 6 de maio de 2025

Quanto custa?

Quanto custa ser você?

Quanto custa a sua sanidade?

Bom, é fato que problemas financeiros fodem a tua cabeça, já que tudo que fazemos, vestimos, comemos, tem um custo.

Mas mais nociva que a falta de dinheiro talvez seja a busca dele a qualquer custo, a vontade de ser rico e o lamento de se achar um completo inútil por ter pouco.

Vamos lá: se você acha que a única maneira de conseguir respeito, a única maneira de ter poder de decisão é tendo dinheiro, bom, eu tenho uma péssima notícia pra te dar — você não é o que você tem, você é o que é. E, se for um bosta sem dinheiro, será um bosta sem dinheiro.

Não, esse não é um discurso contra o dinheiro. Longe disso. Ter dinheiro é legal, conseguir mais é legal, mas não compra caráter, não compra felicidade, não compra amigos.

Veja quantas pessoas você atropelou, machucou, fez pouco caso, ou mesmo ignorou a existência pela sua busca por dinheiro — ou pela sua incapacidade de ser humilde o suficiente para pensar que alguém pode não estar em sua melhor fase, mas ainda assim, é alguém.

É muito fácil ficar sorrindo quando se tem dinheiro no bolso e porra nenhuma pra se preocupar, mas é um caralho ter inteligência emocional pra separar um bolso vazio de um caráter vazio.

O discurso do empoderamento à base de dinheiro é um discurso vazio, idiota, mesquinho pra caralho — e perpetua o sentimento de inutilidade daqueles que te cercam e queriam ser um pouco mais do que um caixa eletrônico pra você.

A maior riqueza que você tem é você mesmo: sua vontade, sua força, sua liberdade — e a junção de tudo isso, a sua possibilidade de fazer mais e ser maior.

Quanto a quem te desmerece por grana, manda se foder!

Música: Money for Nothing – Dire Straits

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Insegurança

Quantas vezes eu senti medo, nossa, aquela sensação de que você não é bom o suficiente, que tudo que você quer fazer vai dar merda.
Autossabotagem é meu maior "dom", e olha que eu não estou falando de grandes coisas, estou falando das pequenas merdas do dia a dia. Em algum momento, você se pega andando na rua meio com medo, com vergonha de como está, de como as pessoas vão te ver.
É maluquice, eu sei, mas quem nunca sentiu algo parecido? Algo sobre estar em algum lugar social e se ver como a única pessoa que percebe o ambiente, e ter uma insegurança fodida de estar ali por uma sensação de não pertencimento.
No trabalho, quando você para por dois minutos e começa a se cobrar por não estar no ciclo de produtividade intensa.
Em casa, quando pensa em mandar mensagem para alguém, perguntar como vai, e no final fica em silêncio.
Esse sentimento que te invade, que te faz parar por um momento e te faz repensar milhões de cenários negativos possíveis.
Engraçado como eu percebo esse padrão e, na sensação de querer controlar, o descontrole toma conta, fazendo eu tomar as piores decisões, quase 100% das vezes.
Aí fiquei muito tempo pensando, será que eu alimento esse blog, com pensamentos crus e aleatórios que eu tenho sobre qualquer coisa? Pois entenda, esse pensamento que você está lendo é sobre uma cadeia de pensamentos de autossabotagem que viraram essas linhas.
Estou aqui escrevendo aleatoriamente, vendo se algo faz sentido e escutando uma música no modo repeat.

Música: Don't Shoot - The Spits

(Obs: Coloquei aqui, não vou reler, só programei o dia e a hora, de forma insegura)

domingo, 4 de maio de 2025

Meritocracia no cu dos outros é refresco.

É engraçado pensar que tento viver uma vida autêntica, mas cercado de verdades abstratas, de ideais inalcançáveis, de regras arbitrárias e todos os "etc." que você pode ver nas redes sociais e no LinkedIn.
É um eterno saber que você já se fodeu, mas tem a escolha de tentar se foder com estilo, já que o luxo de escolher como viver são realmente poucas pessoas que têm.

Nossa, mas você se alimenta mal, fuma, e blá blá blá... Ok, se eu estivesse em uma posição de escolha, talvez fizesse mais sentido a crítica, mas no final eu só estou aqui tentando burlar a merda do sistema da melhor maneira possível, que é fazendo com que ele não me quebre.

Você, eu, todos estamos fodidos, estamos no mesmo barco. Não me coloco em situação melhor que a de ninguém, porque é isso: vejo alguém na rua pedindo comida, amanhã pode ser eu — um desempregado tendo que ouvir o primo rico falando que ele só está naquela situação porque não sabe abrir uma carteira de investimentos.

Eu já tentei correr para conquistar meu espaço. Não deu certo — e não por falta de empenho ou tentativa — mas sim porque, se você não tem o dom divino de nascer herdeiro, bom... você se fodeu.

Quanto fiquei maluco tentando ser alguma coisa, quanto fui escroto com as pessoas, quantas vezes deixei a minha casa e fiquei igual um workaholic tentando ganhar dinheiro, tudo isso para a mão do mercado dedar meu cu, e no dedo escrito "meritocracia".
Um exemplo: quantas vezes eu fiquei de férias em casa e, depois de um tempo parado, começou a bater a agonia de se achar um inútil porque não está trabalhando.
Que loucura é essa?
Porra, será que cheguei tanto ao fundo do poço que não me sinto uma pessoa por estar de férias?
Não, eu não penso assim — principalmente quando um ex-chefe chegou para mim uma vez perguntando:
— Cara, você curte carros?
— Sim, eu gosto. Por quê?
— Olha esse vídeo que eu fiz andando em um Mustang conversível com a minha família lá em Miami.

Eu virei as costas e fui fumar um cigarro, para não acabar ganhando uma justa causa. Sabe como é, né?

Mas vê aí a importância do cigarro?

Depois fui demitido por excesso de faltas. Enfim, história para outro dia.

Mas sei lá... se tem alguma coisa que eu posso dizer que escolhi de verdade, é tentar ser eu o máximo que puder — não nas grandes coisas, mas nas pequenas.
Nesse texto, em todos os outros que já escrevi e que vou escrever ainda.

Que como o fluxo de bosta não termina, então sempre tenho um assunto pra falar.

Música: Take This Job and Shove It – Dead Kennedys

sábado, 3 de maio de 2025

TAG

A respiração fica mais rápida, as pernas começam a balançar, os pensamentos começam a acelerar. Você pensa no que já aconteceu, no que está acontecendo e no que vai acontecer.
Por que eu tô mexendo as pernas?
Ah, caramba, essa sensação está vindo outra vez.
Acendo um cigarro e tragadas longas e rápidas começam a inundar meu pulmão de fumaça, o ambiente de monóxido de carbono e a circulação de nicotina.
Se eu continuar fumando nessa velocidade, vou acabar com alguma doença.
Melhor seguir para o banheiro. Certo, ligar o chuveiro. O som da água caindo alivia um pouco a sensação.
Porra, mas é o terceiro banho que estou tomando desde que cheguei em casa. Vou sentar um pouco na privada, já estou pelado, vou ver se cago.
Mas você já cagou quando chegou. Está parecendo um maluco querendo fazer isso outra vez.
Ok, vou jogar um pouco de água quente no corpo, para ter alguma sensação de abraço, de segurança, de voltar para o aqui e agora.
Merda, já está caindo água há muito tempo. Vou sair.
Me enxugando... Mas será que eu tomei o remédio? Sim, sim, claro que tomou. Está tudo certo.
Ok, vou para a cama, colocar uma música no fone com as luzes apagadas, para tentar dar uma segurada.
Merda, não tá adiantando.
Vou escrever.
Certo, escrevi.
E você está lendo.

Música: Police Siren - Regulations (em loop)

sexta-feira, 2 de maio de 2025

15 Dias

Sábado, 1h23 da manhã.
Aqui estou, sozinho, sem solitude, sem resiliência. Somente eu e eu mesmo — a pessoa que não queria encarar.
Essa semana foi pesada: muitas coisas, muitos sentimentos, falhas que tive que encarar, clientes que tive que atender, o sorriso amarelo de nicotina que tive que dar no trabalho — tudo esperando o fim de semana chegar.
Não, não é por causa da festa de sexta-feira, não é pelo happy hour, pelos possíveis dates. Não. Era para esperar a vinda do meu moleque, da voz dele que preenche o silêncio, da alegria que substitui o cheiro de cigarro.
Mas ele não veio. É o fim de semana com a mãe — e está certo, ele tem que ter um fim de semana com cada um. Não quero que ele tenha menos alguém, sabe?
É apenas solidão. Ansiedade pelo dia de amanhã, pelas próximas horas acabarem logo, para que logo chegue a hora dele chegar.
Não vou jogar Subnautica porque ele pediu — ele quer me ver jogando para ter referência.
O boneco que comprei da China ainda não chegou, mas o peso do silêncio chegou.
E aqui estou eu, em uma crise de insônia. Não a boa. Não aquela de ficar jogando ou assistindo algum filme com ele. Mas a insônia de olhar para tudo e não ver ninguém.
E, nesse sentimento, eu escrevo um fim de semana — não para dizer que hoje tá uma bosta, mas para dizer que todos os dias em que ele não está aqui são uma bosta.
Hoje, sem música, porque a trilha sonora dessas noites é sempre o barulho do isqueiro acendendo um novo cigarro, o som dos carros na rua e o ruído do teclado desse celular enquanto eu digito.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

A culpa é de quem? (Texto de 2012)

O homem vem em constante evolução. Pensando que viemos dos macacos, hoje temos muito do que nos orgulhar.

Mas pensando aqui com meus botões… será que não é pensar demais que faz o mundo ser a merda que é hoje?

As pessoas pensam que são fodas. As pessoas pensam que vão ser melhores se tiverem mais do que o próximo. As pessoas pensam que, por às vezes terem mais acesso à cultura, são fodonas.

Sinceramente, penso que quanto mais inteligente o ser humano, mais animal e idiota ele é.

Você aí, todo letrado, dito ser pensante, com conteúdo... Já parou pra pensar que você também é o motivo de toda a desgraça no mundo?

Vamos pensar: você adora animais, mas não faz questão de um ser humano passando fome ao seu lado.

Você sabe tudo sobre o mundo do Senhor dos Anéis e Harry Potter, mas, quando perguntado em quem votou nas últimas eleições, você não lembra, não liga.

Você, que se diz cidadão respeitado, que paga seus impostos… falsifica carteirinha de estudante pra poder pagar meia-entrada no cinema.

Claro, o mundo está tão politicamente correto ultimamente que eu fico pensando se não vivo em algum universo paralelo. Todo mundo é tão filho da puta em alguma coisa e se mostra totalmente o contrário — não de forma social, mas de forma hipócrita — que eu realmente penso… logo desisto.

As pessoas têm se preocupado tanto em fazer com que seu dia seja foda — não pra elas, mas para outras pessoas — que, no final das contas, ninguém sabe a importância que tem no meio em que vive, para as pessoas com quem se relaciona.

Na verdade, vejo muitas novelas da vida real… e não vejo ninguém se importando em fazer a sua parte, sem querer enfiar sua opinião, crenças e pensamentos goela abaixo de ninguém.


Relendo em 2025 com a Musica: Change of Ideas - Bad Religion 

Observação: Bad Religion falava disso no final dos anos 80, o texto acima é de 2012, e em 2025 só continuamos repetindo o padrão, só que com engajamento no TikTok