sábado, 31 de maio de 2025
Eminência à Parte
sexta-feira, 30 de maio de 2025
Um Maço por Dia
quinta-feira, 29 de maio de 2025
Cama de casal
quarta-feira, 28 de maio de 2025
Amor sem Justa Causa
É foda. Às vezes você se pega pensando que sua felicidade está vinculada à felicidade de alguém, que você só consegue sorrir quando quem está do seu lado sorri também. Parece que tudo fica uma merda quando a pessoa com quem você convive acorda com a pá virada. A insegurança bate quando a pessoa não te responde logo no WhatsApp, e quando você pensa que sair não é uma opção porque, no fim, sem aquele alguém, você não é nada.
Já vivi esse lado. Provavelmente já fui o outro lado também. Mas essa questão de ficar querendo validação, de ficar colocando o que o outro sente como termômetro do seu dia… tudo isso te joga num mar de insuficiência absurda.
O quanto do absurdo que eu sentia não era meu? Era algo que dependia da resposta do outro. Nossa, quantas vezes eu fiquei me sentindo sob uma pressão imensa… E a hora de cagar ou de tomar um banho eram os momentos em que eu podia ser livre — onde, no banho, a água quente servia como um abraço sem julgamento, sem depender de uma lista de coisas.
Ah, sim. Não posso ficar tanto tempo assim no banheiro, senão fica parecendo que estou fazendo alguma coisa. Fica parecendo que eu realmente estou querendo fugir. E isso magoaria a pessoa. E eu não podia nem sequer chegar perto disso. Não. Eu sou alguém que vai fazer essa pessoa feliz o tempo todo. Não serei nunca motivo de tristeza.
E, com isso, fico triste. Pois algumas das coisas que eu queria fazer não eram ligadas a quem estava comigo — mas não podia.
Enfim. Acho que fiquei dependente da aprovação.
E, depois que você sai disso, fica perdido. Não sabe quem é. Fica aquele misto de “nossa, fazíamos todas as coisas juntos”, e, aos poucos, o concreto que travava as juntas começa a deteriorar e quebrar. E aí você se vê derrotado, sozinho, triste — e com medo de falar sobre isso com qualquer outra pessoa, porque tem medo que tudo comece outra vez.
É bom cagar de porta aberta, sozinho, enquanto fuma.
Comprei um cinzeiro de parede para o banheiro.
A liberdade tem nome. E não, não é o fato de estar sozinho, de boa, sem depender de validação alguma.
A liberdade se chama Lucky Strike enquanto cago.
Música: Infected — Bad Religion
terça-feira, 27 de maio de 2025
Homem não chora
Quantas vezes, depois de fazer uma tremenda merda, ou depois de tudo dar errado, ou depois de me machucar pra caralho durante a vida, eu chorei.
Puta merda. Durante muito tempo, eu tinha aquele pensamento bosta de “ah, não sangre no tanque de tubarões”. Porra, eu não conheço nenhum tubarão! Quem tem interesse no meu sangue escorrendo no tanque?
Mas, durante muitos anos, eu fiquei em silêncio, levando as porradas quieto. Na verdade, não tão quieto. Eu sempre escrevi, sempre foi parte do processo.
Mas, pros outros, eu sempre estava bem. Sempre normal.
“Nossa, como ele é forte!”, diziam.
Não sabiam que eu estava quebrado, fodido, torto, com dor, com culpa. Mas não, eu precisava trabalhar, precisava ter algum tipo de armadura pra não ser deixado de lado completamente.
Afinal, quem está mal acaba com a “energia” do local.
Grande coisa, essa energia mentirosa de merda, cheia de expectativas irreais, onde você é jogado dentro e tem que fingir.
Sério: estou de boa comigo mesmo.
Se tiver que chorar, eu choro.
Se tiver que xingar, eu xingo.
Se eu tiver que me isolar, eu me isolo.
E mesmo com tudo isso...
Se eu quiser escrever, eu escrevo.
Se não quiser... bom, foda-se.
Mas homem chora sim. Chora pra caralho.
Os que não choram com as lágrimas escorrendo, com cara feia, nariz escorrendo, choram por dentro da armadura.
Choram da maneira mais doida.
E eu chorei muito tempo assim, onde meus lamentos alimentavam um câncer maior do que a probabilidade do meu câncer de pulmão.
Porra... se eu não posso lamentar, xingar, me mostrar sim como uma criança birrenta às vezes, pra colocar pra fora a frustração... eu faço o quê?
Compro um livro chamado A Sutil Arte de Ligar o Foda-se?
Não. Melhor mesmo é pegar uma bebida, acender o cigarro e chorar.
Lamentar. Ficar mal mesmo, porque as coisas realmente fazem mal — e não temos como controlar isso.
O cheiro do meu Lucky Strike sempre é um conforto pros dias de merda, já que, pelo menos de alguma maneira, eu estou escolhendo uma forma de morrer.
Homem chora.
Eu choro.
Mas prefiro acender um cigarro.
Porque, no final,
eu não ligo.
Música: I Don’t Care – Ramones
segunda-feira, 26 de maio de 2025
Chato pra Caralho! (Drops)
domingo, 25 de maio de 2025
Super Ado (Poema)
sábado, 24 de maio de 2025
Preguiça e Nicotina
sexta-feira, 23 de maio de 2025
Match?
Passando para a esquerda, foto em academia, em vários lugares do mundo, em bares e restaurantes caros... o que alguma dessas pessoas tem a ver comigo?
Um cara que tem todas as fotos fumando, com o plano de fundo do trampo, que só consegue usar uma camiseta diferente na sexta-feira do no dress code... mas eu me divirto com o estudo antropológico que são os aplicativos de relacionamento. Obviamente não pago por plano premium — prefiro comprar uma camiseta ou um jogo. Bem mais divertido a longo prazo.
Mas aí eu me pergunto: porra, o que eu tô fazendo nessa merda?
Ah, para, vai... você não acha que consegue viver sem nenhuma validação, nenhum interesse, nada de poder se sentir um pouco interessante?
Mentiroso do caralho. Você tem a mesma necessidade de todo e qualquer ser humano: por conexão. Nem que seja um like. A diferença é que você dá risada se tem um like — e dá mais ainda se não tem. E essa é a sua liberdade.
Você gosta das coisas, mas não se mede por elas. E aí fica pensando nelas em meio ao horário de trabalho:
— Nossa, por que você não arrastou essa pra direita?
— Ah, não tem cara de quem aguentaria um Lucky Strike e um rolê baixo custo.
Porra, mas isso é machismo?
Claro que não. Eu não estou rejeitando pessoas pelo gênero delas. Eu estou me rejeitando a cada pessoa que eu penso que nunca curtiria nada do que eu faço ou sou.
Entende a diferença?
Mas aí é que tá a grande sacada: o jogo social me cansa muito. Mas isso não quer dizer que, às vezes, não seja legal jogar. É simples: ninguém é tão antissocial que não precise de um pouco de ação comum.
Interessante esse pensamento vir na minha cabeça durante a hora do almoço de uma sexta-feira. Porque talvez isso seja o sintoma de que eu precise sair pra tomar umas e me desligar de mim mesmo.
É... tá foda.
Música: Should I Stay or Should I Go – The Clash
quinta-feira, 22 de maio de 2025
Entre o Presente Passado e o Passado Presente
Queria montar uma banda, fazer um barulho. Nada de querer ficar tocando nos lugares, se organizando para apresentações. Não. Eu queria ter uma galera pra poder tocar, tomar cerveja e ficar bêbado nos ensaios, enquanto tocamos algumas músicas próprias e alguns covers mal feitos.
Mas é foda. Esse meu horário me faz ficar sempre trabalhando quando as pessoas normais já estão de folga, e eu fico de folga quando as pessoas estão trabalhando — o horário nunca casa.
Tem outro problema: a maioria das pessoas quer ser foda, rockstar, quer se apresentar com algo completamente absurdo de bom, tapinhas nas costas dizendo: “Nossa, vocês são do caralho, vamos gravar um álbum!”. É foda. Eu só queria fazer barulho.
Fico pensando, escrevendo, tendo ideias pra som. Mas, no fim, o dia de descanso que eu tenho, eu acabo tendo que escolher entre viver ou descansar para, no outro dia, voltar à rotina do trabalho.
No final, eu pego alguma backing track e toco por cima. Não tem muito mais o que fazer do que isso.
— “Ah, é preguiça!”
Porra, sim! É claro que é preguiça. Tenho que ficar vivendo entre egos todos os dias, ainda ter que montar uma banda onde vão querer se mostrar e ser a nova salvação do rock?
Ah, não. Não dá. Eu tô cansado. As coisas vão engolindo você pouco a pouco, a cada ponto batido no trabalho, a cada cliente filho da puta que vem me chamar de tudo quanto é nome porque não tá conseguindo carregar os stories na velocidade que quer.
Lembro da primeira vez em que toquei em um palco. Estávamos todos nervosos. Eu era o guitarrista e vocalista, porque no primeiro ensaio da nossa vida ninguém teve coragem de cantar nada. Eu fiquei irritado e peguei o microfone.
Voltando ao dia do primeiro som: era Dezembro de 2002. Íamos começar com Papai Noel Velho Batuta, dos Garotos Podres. Subimos no palco, ligamos os instrumentos, e naquele momento o som da guitarra ecoando em um lugar maior que uma garagem me pegou.
Por um momento o mundo ficou em câmera lenta. As pernas tremendo, a respiração rápida, o microfone na minha frente. Toquei de leve as cordas da guitarra e o som da distorção me bateu nas costas. E, ao mesmo tempo, fez com que as pessoas que estavam no local parassem de conversar entre si e virassem na nossa direção pra ver quem eram os moleques que iriam se apresentar.
Aquele momento foi um dos mais tensos da minha vida, e todos estavam esperando eu falar alguma coisa. Então cheguei perto do microfone, respirei fundo:
— Essa é a Mystery Machine. Se vocês gostarem do som, beleza. Se não gostarem, vão tomar no cu.
Os primeiros acordes vieram como um instinto, e o grito “PAPAI NOEL, FILHO DA PUTA!” ecoou. O som saiu. Sete músicas em quinze minutos.
Não tínhamos mais músicas, não sabíamos mais covers. E quando terminou o som, o baixista estava sem um tênis — que saiu voando e foi parar no meio da galera. O outro guitarrista todo suado, porque além de tocar, teve que por muitos momentos parar pra segurar a bateria, que andava pra frente a cada porrada do baterista.
E eu ali, mais uma vez na frente do pessoal, que estava com um ponto de interrogação sobre o que iria acontecer:
— Acabou.
Desliguei minhas coisas, desci do palco correndo, dei um gole na minha cerveja, acendi um cigarro e fui embora.
Música: Papai Noel, Velho Batuta – Garotos Podres
quarta-feira, 21 de maio de 2025
O Divorcio
O divórcio saiu, agora sou oficialmente um cara solteiro, pelo menos juridicamente.
Mas é engraçado como, quando as coisas tomam um fim definitivo, a gente se pega pensando no que aconteceu, nos motivos que levaram ao fim.
E não, eu não lembro com inconformismo ou com nostalgia — só penso mesmo. E não na culpa da minha ex-esposa, mas sim na minha, no que eu fiz para chegar a isso. Não me martirizando, mas tentando entender o todo, para que eu não cometa os mesmos erros, sei lá.
Acho que todos nós pensamos no fim de algo com um viés derrotista ou com uma nostalgia barata de algo que não aconteceu. Ou começamos a lembrar que nem tudo foi ruim — isso é normal, e eu já passei dessa fase.
Eu tenho amizade com a minha ex-esposa. Ela me deu meu maior presente: meu filho. E ele está acima de qualquer coisa.
Não teve aquela briga de egos, de quem ganhou e quem perdeu. Todo mundo perdeu, mas, ao entender isso, de alguma forma todos nós ganhamos.
Óbvio que no início foi tudo muito ruim, pesado, uma verdadeira derrota. Falei dessa jornada de redenção em outro texto, Cigarros, Cachaça e Redenção, onde eu me senti sozinho, com uma conta de todos os erros.
Não, a conta não foi paga, e não deixei de me sentir sozinho. Mas, sei lá... agora é outro contexto. É o contexto do fim documentado de algo que foi um sonho, que foi uma expectativa absurda, uma jornada gigante, cheia de sentimentos e atitudes nem sempre legais e felizes — mas que também tiveram isso.
Pode parecer que eu esteja querendo dar uma moral da história enquanto escrevo, mas não. É só isso mesmo: as coisas mudam a fase de estar, e continuarei errando em um monte de coisa. "Nossa, ele não tem a intenção de errar, mas erra" — e isso é humano.
No final, estamos seguindo em frente. E a vida segue, independente se queremos isso ou não. E eu continuo fumando meu cigarro, me sabotando, falando que esse fim de semana eu vou sair, e no final acabo comprando uma camiseta, algo pra colocar no quarto, qualquer merda — e a vontade de ficar em casa jogando algum jogo legal, isso num fim de semana igual a esse, em que meu filho não vem pra casa.
Cheguei à maturidade cansada dos que são engolidos pela rotina e perdem as coisas aos poucos, e, a conta-gotas, tentam se manter minimamente estáveis para não acabarem virando uns babacas com toda a humanidade, só porque a humanidade foi babaca com eles.
Sozinho em casa, as vantagens são poder cagar de porta aberta, assim como tomar banho de porta aberta, fumar tranquilamente dentro de casa e poder fazer o meu nada com um tédio libertador.
Quanto à questão de continuar?
Bom, eu preciso ter vontade de deixar o acaso fazer o trabalho. Mas, no momento, eu quero só que se foda mesmo.
Música: Serve the Servants – Nirvana
terça-feira, 20 de maio de 2025
A Madrugada
segunda-feira, 19 de maio de 2025
O Verdadeiro Show
domingo, 18 de maio de 2025
Reconstrução em Mi Menor
Depois de muito tempo olhando para o espelho e não reconhecendo a imagem que eu via, sigo para o quarto e vejo ela lá, toda destruída, sem atenção: a guitarra.
Com marcas de batidas, tinta lascada, pedaços faltando. E aí penso: talvez seja isso que eu não esteja reconhecendo em mim — esse abandono. Colocando tantas coisas como prioridades, acabei virando um móvel estranho dentro da casa, onde a função — que é emitir algum som — não está mais presente.
Decido, então, que vou reformar a guitarra e não olhar para o espelho durante o processo. Anoto as peças que estão faltando ou quebradas e vejo o preço de cada uma. A pintura vai ficar essa mesma. As marcas são histórias — e histórias têm que ser mostradas de alguma maneira.
O dinheiro que recebo em um mês não vai dar conta de arrumar tudo, então coloco prioridades e vou comprando uma peça a cada novo pagamento recebido. É uma espera em que a ansiedade, às vezes, vem. Às vezes, dá lugar a um desânimo que me faz pensar: acho que fui tapeado.
Não. As primeiras peças chegam. Guardo-as com cuidado no meu guarda-roupa e decido que a guitarra ainda ficará lá, do jeito que está. Só irei mexer nela quando estiver com todas as peças.
Outras peças chegaram. Será que comprei certo? Não sei. Mas, enfim, vou seguindo meu plano. E, como um otimista, eu compro as cordas — ah, sim, a última parte, a que realmente dá significado. Mesma marca que comprava anos atrás, quando a fúria da juventude embalava os acordes simples de um cara que adora punk rock.
Decido, então, que todas as peças estão em casa. Vamos montar. Coloco a TV para passar qualquer coisa, apenas um barulho — não quero música, não nesse momento. Está tudo mudo, só o som das palavras que não entendo na TV.
Montei. Nossa, as peças couberam. Consegui montar. Vamos colocar as cordas. Momento de tensão, porque tudo que coloquei de novo na guitarra pode quebrar com a tensão das cordas. Porém, nada acontece. Apenas uns estalos — mas é tudo se acomodando novamente.
Não vou tocar ela agora. Vou apenas afinar de maneira básica, para deixá-la pronta. Vamos esperar um dia, para ver se ela não explode encostada ou se perde a afinação.
Para minha surpresa, no dia seguinte, antes de ir ao trabalho, ela está lá, olhando para mim, com todas as peças no lugar. Passo os dedos nas cordas — perdeu um pouco da afinação, mas nada anormal.
Trabalho pensando nisso, e contente comigo mesmo. Tirei fotos, enviei para pessoas. Ela está viva!
Volto do trabalho. Decido que vou tocar. Perdeu um pouco da afinação mesmo, mas ok, era esperado. Afino e começo a tirar alguma coisa aleatória. Meus dedos doem — perdi os calos —, mas seguimos.
Aí penso: poderia colocar alguma distorção. Mas não tenho cabo, não tenho amplificador ou local para ligá-la.
Mês que vem comprarei uma pedaleira, onde posso colocar o fone de ouvido. Ah, mês que vem não dá, já estou sem grana. Deixa para o outro.
Mas a guitarra está lá, inteira, com sua função ok.
Comprei o pedal. Tirei alguns sons. Sim, eu ainda sou capaz disso. Que maravilha! Agora é fazer com que ela fique mais minha.
Adesivos — sim, muitos adesivos. Vou fazer com que a cor da guitarra não seja mais vista, e sim todas as minhas influências. Tudo o que eu julgar legal.
Faço isso, ao mesmo tempo em que volto a me olhar no espelho e rever um velho amigo: você está aí. Sempre esteve. Só precisava trocar algumas peças, né?
E assim começou a reconstrução. A jornada de volta ao eu. Ao que eu gosto. Ao que eu sinto. E ao som que eu emito.
Música: Punks Not Dead – The Exploited
sábado, 17 de maio de 2025
Texto Editado
sexta-feira, 16 de maio de 2025
Gambiarra Existencial
Sempre fui um poço de expectativas frustradas, tanto minhas quanto dos outros, e não tem nada melhor que isso, porque, em meio a tanto quebrar o que as pessoas pensam, eu pude pensar por mim mesmo.
Não sei se está certo, não sei se está errado, mas só penso, digito, enquanto cago, entre um atendimento ou outro, sei lá.
Eu já tentei caber demais no mundo das pessoas, e aí fiquei cada vez mais distante de mim mesmo. Porra, eu só quero ser um pai legal para o meu filho — não o perfeito, mas um cara legal. Um pai, não uma entidade, não um ator, mas um cara que ensina todos os palavrões possíveis para o moleque e deixa ele livre para usá-los em casa.
Já fui humilhado, já me subestimaram, já me superestimaram, já tentaram me colocar em um local onde eu não queria estar, porque, no final, o legal é ser porra nenhuma mesmo.
Eu não me vendo como um cara foda, um cara legal, até porque não sou. Porra, que merda é essa de você fazer uma coisa certa e isso ser colocado como modelo para as coisas? Tá todo mundo maluco, incluindo eu.
A minha vida é uma eterna gambiarra, colando os pilares com cuspe e chiclete, enquanto bebo cerveja e fumo meu Lucky Strike.
Demorei pra caralho para conseguir entender alguma coisa, e vi que não entendi nada — e continuar sem entender é o que me faz poder rir da merda do caos enquanto espero o meu moleque chegar em casa.
Se algum dia eu for intencional no que eu escrevo, ou se algum dia eu estudar para escrever, para engajar, para fazer as pessoas ouvirem, podem me internar, porque aí eu sucumbi às expectativas de quem me acha, de alguma maneira, um cara foda.
Ou pior: um Homem de Valor!
(Se isso acontecer, me deem um tiro.)
Música: Lexicon Devil – The Germs
quinta-feira, 15 de maio de 2025
Lixo, O Luxo Cultural!
Texto de 2012
Faz algum tempo que vemos na TV e na música as mesmas coisas. Nada de novidade. Mentira — novidades temos muitas, mas realmente significantes, nenhuma. Letras de música sem sentido algum, programas de TV que não dizem nada, pessoas que não tiram a bunda do sofá. YouTube.
Claro, toda essa merda sempre esteve aí. A diferença é que juntaram todas em uma privada só — e todos podem ver, curtir, ouvir, compartilhar, propagar. Normal.
Eu realmente não acho errado, por exemplo, um cantor ganhar dinheiro fazendo sons com a boca, que se encaixem em rimas imbecis. O povo gosta, então vamos dar isso pro povo. O que realmente me deixa triste é pensar que estamos tão acostumados a viver no lixo cultural, que quando aparecer algo realmente bom, as pessoas tenham atrofiado o cérebro a ponto de não reconhecer mais.
A culpa não é de ninguém, a não ser nossa — que compartilhamos imagens e pensamentos no Facebook, e mostramos a preguiça mental que temos. Já que compartilhar algo é mais cômodo que pensar em algo. As revoluções de sofá, aquelas em que derrubamos governos sentados confortavelmente em nossos lares. As raças de seres humanos cuja única coisa que pensam é no “vem ni mim sexta-feira”. Os que desafiam o mundo com seu intelecto superior, mas conjugam verbo usando “mim”.
Não, eu não acho errado fazer dinheiro com o comodismo das pessoas, com a falta de critério delas. Até porque, se pararmos para pensar: merda é adubo... e, nesse caso, alguém tem que crescer.
Musica: A Comercial - Dead Kennedys (musica adicionada em 2025)
quarta-feira, 14 de maio de 2025
Hora de Acordar!
Quantas vezes eu já olhei para o espelho e não me reconheci, fiquei pensando em que merda é essa que está aparecendo?
Ainda acontece hoje, ainda olho para o espelho e não me vejo, me sinto bonito, penso "nossa, que sensação boa", e isso não é normal.
Mas aí eu corro para a autossabotagem, acendo o meu cigarro e me coloco a entrar no ritmo de trabalho, onde eu tenho que escovar os dentes, tomar um banho (odeio pensar que estou fedendo), não pentear o cabelo, separar a camisa do uniforme e, aos poucos, voltar ao normal, como colocando o traje espacial para uma caminhada fora do seguro, fora do local onde a garantia de vida é maior.
A calça e o tênis são os mesmos faz uma semana, não tenho que parecer bonito, tenho que parecer funcional, e assim toda aquela estranheza do acordar bem vai sumindo e dando lugar ao que realmente importa: sobreviver mais um dia.
Talvez uma foto? Para parecer um cara que não liga pra porra nenhuma, enquanto liga pra caralho em não chegar atrasado.
Enfim, sigo o ritual da normalidade forçada, coloco o tênis, percebo que a sola está descolando. Nenhum tênis legal é feito para andar. Eu vou e volto do trampo a pé, e parece que os tênis não foram feitos para isso. A caminhada a pé sem ser para postar como cuido da saúde não vale.
Pare, volte para o ritual da normalidade. Coloque a blusa na mochila. Já dobrei tantas vezes que agora só enfio ela dentro da mochila e tá bom, vou usar só à noite mesmo.
Tomou seu remédio? Se não tomou, é melhor tomar. Os dois que a psiquiatra prescreveu para a ansiedade não passar do nível "ficar mexendo as pernas sem parar".
Quase tudo ok. Não tomei café da manhã, mas é normal, desconto para ter um tempo a mais na cama ou no banho. Aliás, banho quente, porque esse papo de coach de tomar banho gelado é coisa de babaca. Tem que ser um banho quente, confortável, pois as próximas 12 horas serão de puro suco de rotina — esse sim, frio e também coisa de babaca.
Bom, chegou a hora. Melhor conferir se o celular está no bolso? Ok, ele está sim, com a tela trincada, mas foda-se, vai ser usado até a hora que parar. E o mais importante: pegue a mochila, confira se o cinzeiro portátil está lá, o isqueiro ainda funciona e tenho cigarros que duram até a hora do almoço.
Acho que é isso. Acho que está tudo uma merda, ou seja, tudo normal.
Até a noite!
Música: Broken Toy – SNFU
terça-feira, 13 de maio de 2025
O dia clareou!
segunda-feira, 12 de maio de 2025
Preciso sair para beber
domingo, 11 de maio de 2025
Meu Pedido Veio Errado!
Imagine a cena:
Uma pessoa chega em um drive-thru qualquer para pedir o que vai consumir:
— Gostaria de alguém que curta as mesmas músicas que eu.
Que entenda tudo que eu fale.
Que goste das mesmas coisas que eu gosto.
Que me responda na velocidade que eu achar apropriada no dia.
Que possamos viver um amor sincero, daqueles em que a pessoa é louca por mim.
Daqueles que poderiam virar um filme ou uma série.
Que possamos viver juntos e felizes para sempre.
Onde eu sempre serei respeitado(a).
Onde o amor seja acima de todas as coisas.
Onde todos os meus planos sejam realizados.
Que seja alguém que me apoie em todas as coisas.
Que me dê conforto quando eu estiver mal.
Que me trate como alguém especial.
Que me prometa e sempre cumpra.
Que escreva músicas e poemas para mim.
Pois é.
É interessante como as coisas podem parecer estranhas quando escritas.
Talvez seja por isso que eu ainda prefira uma noite de sexo casual sincero do que uma vida de amor doentio e desigual.
Até porque eu já vivi o amor todos os dias — e fui insuficiente em todos eles.
Já fui os dois lados: o que cobra e o que é cobrado; o que destrói e o que é destruído.
Porém, a minha vida é um drive-thru aberto — aceito pedidos.
Mas muitas coisas já não existem mais em estoque.
Posso amar por uma noite ou por uma vida inteira.
Só não peça o combo, porque fast food faz mal.
Pare em uma conveniência superfaturada e pegue algo com melhor valor nutricional.
Música: I Wanna Be Your Boyfriend – Ramones
sábado, 10 de maio de 2025
Quem paga o date?
sexta-feira, 9 de maio de 2025
Texto para não ler!
quinta-feira, 8 de maio de 2025
Diário de um Fantasma Funcional
Mais um dia aqui em meu posto de trabalho, escutando as teclas do teclado — minhas e dos colegas — enquanto fico ouvindo música, escrevendo, pensando, girando meu fidget spinner, mas sempre observando, ouvindo.
Sou mais velho que o pessoal aqui. Eles todos têm 20 e poucos anos, e eu, já com 39, fico sendo o contraponto: o cara que passa a maior parte do tempo em silêncio e, às vezes, entra em um assunto ou outro. O clima é muito amistoso, o que realmente faz com que minha ansiedade fique tranquila a maior parte do tempo.
É interessante como as dinâmicas mudam conforme a idade. Eles estão envoltos em sonhos, metas, vontade de ser social o tempo todo, enquanto eu carrego meus pensamentos e cansaço em silêncio. Não vou julgar o trabalho de ninguém, no final, isso é o ganha-pão de cada um, e cada um trata isso da maneira que julgar certo.
Mas isso não impede de ver como as preocupações são diferentes. E aí você começa a entender que as coisas nunca são tão simples — existem camadas de vivências que só o tempo pode dar.
Algo que mostra isso: o pessoal aqui, em sua maioria esmagadora, vai à academia na hora do almoço. Eu, geralmente, não almoço. Fumo uns dois cigarros no período de uma hora e volto para o local de trabalho para ficar lendo alguma coisa, vendo meu Threads ou pesquisando algo que tenho vontade — mas que é uma merda procurar no celular (não, eu não tenho nem desktop nem notebook em casa).
Sou consultado às vezes em algum assunto mais complexo, e já consegui expor muitas das coisas que penso sem ser julgado por isso.
Entre clientes chatos e um trabalho absolutamente maçante, consigo, a conta-gotas, ser eu mesmo — tanto no silêncio quanto na ausência. Isso, no final do dia, me dá a certeza de que, mesmo fodido, ainda consigo ser funcional. Social.
A vida da galera com 20 e poucos anos parece um roteiro paraguaio de Malhação, mas não julgo. Só dou risada e fico pensando como eles se sentirão quando passarem para um roteiro de novela das nove, escrito por um novato que não sabe como escrever algo que faça sentido.
Música: Nice Day To Go To The Pub – Cosmic Psychos
quarta-feira, 7 de maio de 2025
Solidão - Versículo 2
terça-feira, 6 de maio de 2025
Quanto custa?
Quanto custa ser você?
Quanto custa a sua sanidade?
Bom, é fato que problemas financeiros fodem a tua cabeça, já que tudo que fazemos, vestimos, comemos, tem um custo.
Mas mais nociva que a falta de dinheiro talvez seja a busca dele a qualquer custo, a vontade de ser rico e o lamento de se achar um completo inútil por ter pouco.
Vamos lá: se você acha que a única maneira de conseguir respeito, a única maneira de ter poder de decisão é tendo dinheiro, bom, eu tenho uma péssima notícia pra te dar — você não é o que você tem, você é o que é. E, se for um bosta sem dinheiro, será um bosta sem dinheiro.
Não, esse não é um discurso contra o dinheiro. Longe disso. Ter dinheiro é legal, conseguir mais é legal, mas não compra caráter, não compra felicidade, não compra amigos.
Veja quantas pessoas você atropelou, machucou, fez pouco caso, ou mesmo ignorou a existência pela sua busca por dinheiro — ou pela sua incapacidade de ser humilde o suficiente para pensar que alguém pode não estar em sua melhor fase, mas ainda assim, é alguém.
É muito fácil ficar sorrindo quando se tem dinheiro no bolso e porra nenhuma pra se preocupar, mas é um caralho ter inteligência emocional pra separar um bolso vazio de um caráter vazio.
O discurso do empoderamento à base de dinheiro é um discurso vazio, idiota, mesquinho pra caralho — e perpetua o sentimento de inutilidade daqueles que te cercam e queriam ser um pouco mais do que um caixa eletrônico pra você.
A maior riqueza que você tem é você mesmo: sua vontade, sua força, sua liberdade — e a junção de tudo isso, a sua possibilidade de fazer mais e ser maior.
Quanto a quem te desmerece por grana, manda se foder!
Música: Money for Nothing – Dire Straits
segunda-feira, 5 de maio de 2025
Insegurança
domingo, 4 de maio de 2025
Meritocracia no cu dos outros é refresco.
sábado, 3 de maio de 2025
TAG
sexta-feira, 2 de maio de 2025
15 Dias
quinta-feira, 1 de maio de 2025
A culpa é de quem? (Texto de 2012)
O homem vem em constante evolução. Pensando que viemos dos macacos, hoje temos muito do que nos orgulhar.
Mas pensando aqui com meus botões… será que não é pensar demais que faz o mundo ser a merda que é hoje?
As pessoas pensam que são fodas. As pessoas pensam que vão ser melhores se tiverem mais do que o próximo. As pessoas pensam que, por às vezes terem mais acesso à cultura, são fodonas.
Sinceramente, penso que quanto mais inteligente o ser humano, mais animal e idiota ele é.
Você aí, todo letrado, dito ser pensante, com conteúdo... Já parou pra pensar que você também é o motivo de toda a desgraça no mundo?
Vamos pensar: você adora animais, mas não faz questão de um ser humano passando fome ao seu lado.
Você sabe tudo sobre o mundo do Senhor dos Anéis e Harry Potter, mas, quando perguntado em quem votou nas últimas eleições, você não lembra, não liga.
Você, que se diz cidadão respeitado, que paga seus impostos… falsifica carteirinha de estudante pra poder pagar meia-entrada no cinema.
Claro, o mundo está tão politicamente correto ultimamente que eu fico pensando se não vivo em algum universo paralelo. Todo mundo é tão filho da puta em alguma coisa e se mostra totalmente o contrário — não de forma social, mas de forma hipócrita — que eu realmente penso… logo desisto.
As pessoas têm se preocupado tanto em fazer com que seu dia seja foda — não pra elas, mas para outras pessoas — que, no final das contas, ninguém sabe a importância que tem no meio em que vive, para as pessoas com quem se relaciona.
Na verdade, vejo muitas novelas da vida real… e não vejo ninguém se importando em fazer a sua parte, sem querer enfiar sua opinião, crenças e pensamentos goela abaixo de ninguém.
Relendo em 2025 com a Musica: Change of Ideas - Bad Religion
Observação: Bad Religion falava disso no final dos anos 80, o texto acima é de 2012, e em 2025 só continuamos repetindo o padrão, só que com engajamento no TikTok
