Muitas pessoas reclamam da mente barulhenta, que não conseguem se concentrar, que precisam de algo para desacelerar. Eu não tenho isso. Acho que minha cabeça funciona diferente. Vou explicar melhor.
Eu penso o tempo todo. Durante o dia inteiro fico absorvendo o que está ao meu redor. Vejo os padrões, os tons das vozes das pessoas, os vícios e os tiques. Todos temos, desde balançar a perna até olhar de maneira diferente quando estamos respondendo algo — ou mentindo. Sei lá, pode ser pira minha, mas eu vejo essas coisas.
Os meus pensamentos são silenciosos. Não tranquilos, mas silenciosos. E eu fico pensando neles em forma escrita, e não falada. Sim, isso pode ser muito estranho mesmo.
Talvez por isso eu escreva de forma tão crua, tão direta. Não tem filtro entre a minha cabeça e as letras. Quase tudo que escrevo é exatamente como estou pensando.
A minha voz é essa aqui: a escrita, a música, o movimento. A partir do momento em que fico sozinho para refletir, é como se fosse um jogo de palavras, onde parece que eu já leio o pensamento sem precisar falar.
Eu não me prendo a estruturas literárias. Pra mim, a frase escrita tem que fazer sentido. Acho que som, se não gravado, se perde. Escrita, se não apagada, é documento.
Enfim, apenas mais uma reflexão silenciosa e uma provocação minha para mim mesmo.
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