quarta-feira, 30 de abril de 2025

Um filho da puta qualquer

Difícil é quando você confronta as próprias falhas.
Eu sei que sou um filho da puta qualquer, e isso é um peso e uma libertação.
Eu magoei pessoas, fui escroto com muitas, chato pra caralho com a maioria.
Não quero ficar passando pano pra mim mesmo, não quero colocar milhares de justificativas pra dizer que fui um arrombado.

Não. Eu agi como covarde, como medroso, como moleque em muitas situações da vida.
Não fiz disso discurso motivacional, não quero ser exemplo de porra nenhuma.
É interessante como as pessoas sentem uma necessidade de pintar a merda de ouro, e fazer com que ela seja algo bonito, algo superado.
Se eu quisesse vender merda perfumada, viraria revendedor da Jequiti.

O que eu faço é errar. É fazer isso na hora sem saber, e saber depois, entender depois — e não ter uma moral no final da história.
Eu fodi alguém, e me fodi no processo.

Se pegar minha vida em recortes, eu serei o vilão de várias pessoas e herói de ninguém, vivendo no espaço entre falhas e acertos.
Não dá pra pensar em ser falho e querer vender uma positividade tóxica a partir disso.
No final, eu estaria sendo falso com todos — e comigo mesmo.
Jogar minha incoerência como um método de vida? Não. Não dá.

Erros gigantes e acertos pequenos são parte do jogo.
Não tem propaganda nisso.
Cansei de tentar me encaixar em um molde de perfeição, onde as expectativas criadas são absurdas, a ponto de nenhum grande acerto valer mais que um erro.

Já pedi perdão muitas vezes. Nem todas fui perdoado — e isso é bom.
Porque, no final das contas, acabo sendo aquele erro para nunca mais.
Ninguém é tão inútil que não sirva nem de mau exemplo.

E no final, não tem moral da história.
Só se foder — e foder os outros no caminho.

Música: Lie Detector — Dead Kennedys 

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