Eu nunca quis ser líder de porra nenhuma, sabe?
Ser a cara de algo, ou alguém cuja figura represente algum tipo de exemplo a ser seguido.
Essa mentalidade de líder que pregam nunca subiu à minha cabeça. Sei lá, acho que é chato pra caralho você ser considerado algo além do medíocre, porque dentro da mediocridade há uma coisa honesta — onde você pode ser o que quiser, fazer o que quiser e pensar de maneira aberta, onde não se engana.
"Ah, eu sou um fodido."
Ótimo.
O mundo é cheio deles.
Mas alguns não são infelizes por serem fodidos, e sim por não serem líderes fodidos.
Certa vez, em um trampo, lá estava eu fazendo a minha parte, não falando com ninguém, confortável em achar toda aquela coisa uma merda, quando começam a falar sobre estudos, futuro, o próximo carro popular comprado em 72 prestações.
Um cara solta: “Ah, eu tenho faculdade disso, daquilo, estudei música, tenho cursos” — e todos os blá-blá-blás que as pessoas usam como pedestal.
Eu, ali vendo a conversa, só olho e respondo:
“Porra, você tem tudo isso e está aqui fazendo a mesma coisa que eu. E as suas qualificações todas deram o quê? 100, 200 reais a mais que eu no salário?”
O silêncio voltou a reinar e, a partir daquele dia, esses assuntos não rolavam mais.
Não sou amargo.
Só me cansa demais ver esse jogo de ego fodido.
Eu não visto a camisa da empresa — até porque, que sentido teria eu vestir algo que não me representa em porra nenhuma?
Aí você pode me perguntar:
“Mas como você vive assim?”
E eu só vivo. Assim como todas as outras pessoas.
Sendo livre entre um cigarro e outro.
Até porque me recuso a comprar cigarro paraguaio, que é feito com qualquer coisa que não seja tabaco.
Já estou fazendo um bem danado aos meus pulmões fumando.
Se eu não puder fazer isso com meu velho Lucky Strike, então pra que eu fumo?
Eu parei de ficar procurando algo pra assistir, porque tudo quer dar uma lição no final — como se todas as coisas que fizéssemos tivessem algum sentido além de estarmos no mesmo mar de merda, preenchendo o espaço entre o nascimento e a morte com ideais, filosofias, ideologias.
No final, temos que ter um lado.
Adoramos muito mostrar a nossa posição — mas sempre reclamando, no íntimo, que estamos sozinhos.
Tudo, no final, é se validar para os outros te admirarem:
“Nossa, como ele é foda.”
Ser líder, ser alguém que tenha uma relevância, na verdade, é somente ser um símbolo embalado por todas as expectativas que criam sobre você.
Música: I Don't Wanna Hear It - Minor Threat
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