sábado, 26 de abril de 2025

Hipocrisia à La Carte (Poema)

Não me venha com seu discurso hipócrita de liberdade de expressão,
onde quem não concorda com você não tem opinião.
Instagram de influencer, post escrito, gratidão,
usando da falsa solidariedade, fazendo de conta que ajuda quem não tem nem pão.
Tudo calculado, esperado, planejado para o engajamento,
se alimentando da fraqueza alheia, saciando-se com o sofrimento.
Criticando quem não tem consciência da vida que você acredita,
se diz muito calma, mas o questionamento te irrita.
Diz que o ser humano não precisa de carne,
mas não entende quem não tem opção para fazer a marmita.

É muito fácil, com orgulho, falar que não olha nunca pra trás.
Discurso raso, onde todas as coisas que você discorda são mais.
Diz que fez tudo e não fez nada demais.
Harmonização facial, apenas visual.
Vitrine da retórica irracional.
Ativismo seletivo, preferência nacional,
mas varre pra debaixo do tapete a dependência emocional.

É muito fácil, com orgulho, falar que não olha nunca pra trás.
Discurso raso, onde todas as coisas que você discorda são mais.
Diz que fez tudo e não fez nada demais.
Harmonização facial, apenas visual.
Vitrine da retórica irracional.
Ativismo seletivo, preferência nacional,
mas varre pra debaixo do tapete a dependência emocional.

Sempre contrariado e com sentimento de revanche,
irritado com a buzina do motoboy que morre por causa de lanche.
Crítica sempre imposta.
Desonestidade não é pra mim,
mas sempre dá um jeitinho com a desculpa de que brasileiro é assim.
Na balada, sempre simpático;
no trampo, não é assim.
Se prega liberdade para se expressar,
por que me critica por falar assim?
Uma verdade que nunca é dita: quem mais cobra é quem menos faz.
Empatia genuína, compreensão não é capaz.
Se diz independente, sempre eloquente, visão de sucesso, não recua jamais,
mas, quando faz merda, quebra as pernas e pede perdão nas redes sociais.
Dizendo para todos que o problema é Brasília,
mas não paga a pensão do filho, é tóxico com a própria família.
Dito politizado, sempre com discurso pacifista,
mas, quando aumenta a passagem do ônibus, não se aguenta e cobra o motorista.
Não entende o que fala, só fala o que imagina:
pandemia da incoerência para a qual não tem vacina.

Nenhum comentário:

Postar um comentário