Hoje me peguei sentado, com as pernas esticadas na cama, e a luz da TV iluminando o quarto. Não está passando nada — só está ali, ligada, sem um objetivo.
Meu filho não veio esse fim de semana. A casa está mais vazia, sem a voz e a gritaria de uma criança que quer se divertir com o pai. Porém, desse silêncio vem a escrita — essa que estou escrevendo agora.
E a pergunta que pode surgir é: por que você escreve?
Bom, eu tenho que jogar essas coisas de forma ordenada em frases, pra que elas tenham algum sentido. E além disso, acho que a minha escrita hoje é como se fosse meu retrato — torto, quebrado, borrado — mas um retrato fiel.
E é isso que eu quero deixar pro meu filho: que ele leia em algum momento da vida dele, quando a minha já tiver acabado, e me veja ali com ele. Com saudade, mas não com a minha ausência.
Resolvi que vou tatuar o ano de nascimento dele nos dedos da minha mão direita. Porque é a mão com que eu escrevo. A mão que me ajudou a não enlouquecer em tantos momentos da vida. Mas, acima de tudo, a mão mais firme de quando carreguei meu filho pela primeira vez. A mão que me deu confiança em ser pai.
Então que meus textos sejam sangue no papel. Porque assim, quando meu filho sangrar, ele vai ter a certeza de que, nos meus textos, ele vai me encontrar.
Quanto às outras pessoas que se identificarem ou gostarem: sejam bem-vindas.
Aqui somos todos errados.
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