segunda-feira, 28 de abril de 2025

Qual o mapa astral de Deus?

Somos apenas um emaranhado de tramas divinas e cósmicas, dados jogados no dia em que nascemos, e nunca temos total controle sobre quem somos, porque tudo tem um porquê.

Ah, que maravilha podermos ir dormir à noite e pensarmos que estamos a um passo da beleza do céu e afastados do inferno, da danação eterna.
No final, tudo o que você passou de merda só tem o motivo de te deixar mais forte, e tudo de bom que você fez e que te aconteceu é apenas uma consequência da sua não opção de nascer no dia tal, hora tal, lugar tal, receber tal nome.
Como se o caos fosse algo a ser evitado a todo custo, como se a falta de sentido fosse apenas um niilismo barato, para aqueles que não acreditam em porra nenhuma serem julgados por todos que acreditam em alguma coisa.

Quer saber? Foda-se!
Porque é sempre muito mais fácil tentar achar um sentido grandioso em tudo — muito melhor do que pensar: somos um monte de fodidos jogando um jogo onde, na verdade, ele já está perdido.
A casualidade da vida está perdida, pois tudo tem um porquê, tudo tem intenção, tudo é colocado logo no dia do seu nascimento. É um meio muito eficiente de transferir a culpa para tudo, menos para você mesmo.
Todas as merdas que eu fiz são culpa minha. E terei muitas outras merdas futuras — e isso não é por causa das estrelas, ou por causa de Deus ou do demônio — mas sim porque eu prefiro estourar o meu pulmão com cigarros e meus ouvidos com punk rock, do que com a ficção que faz com que todos tenhamos que andar na linha.

A "lógica" é tão burra que, no final, o nosso destino é só isso: destino. Já era. Eu não tenho controle sobre nada.

Mas, na boa, prefiro caçar a tempestade e sentir tudo que ela me proporciona, sem que Deus ou os astros encham meu saco.
Se eu fui cuzão com você, bom, o que eu posso fazer é pedir desculpas e tentar não ser mais — mas isso não depende de mim, depende de todos os dados que as forças externas vão jogar.

Já te adianto: todas as jogadas dão errado, e você tem que aprender a conviver com isso.

Tchau!

Música: Ace of Spades – Motörhead

(Se você achou ofensivo, reclame com Mercúrio ou com o demônio. Eu não me importo.)

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