quarta-feira, 9 de abril de 2025

Cigarros, cachaça e redenção

(Esse texto eu escrevi um tempo depois que eu me separei)






Ah, quanto mais fazemos para as pessoas gostarem da gente, menos elas gostam.

Tudo bem que, no caso deste que vos escreve, eu parto do princípio de que começo a discussão sendo o errado da história.

Toda redenção passa pelo sofrimento de perder. A grande derrota. Sim, aquela que te faz ver que jogou fora a chance da sua vida.

Mas isso não é um texto pessimista de um cara que está prestes a virar alcoólatra, depravado, que pode — ou não — morrer de uma hora pra outra, de infarto ou se jogando na frente de um ônibus.

Não. Esse texto é otimista. Diz que nenhum sofrimento dura uma vida toda. Uma hora você se dá conta de que isso aqui não é um jogo de ganhar ou perder. É apenas vida: erros, acertos, coisas acontecendo o tempo todo, com ou sem a sua presença.

Você vai ser tóxico(a) em algum momento. É inerente à nossa condição de animais sentimentais, cheios de problemas mal resolvidos.

Uma das frases que mais odeio é:
“A terapia tá em dia?”
Não. A de ninguém está. Porque estamos o tempo todo sofrendo, vivendo, tentando nossa jornada de redenção.

Álcool, cigarros ou qualquer outro vício só servem pra tapar buracos. Pra fingir que nossa terapia tá em dia.

A minha está. Porque sei que perdi — mesmo num jogo onde não há vencedores nem perdedores.

Eu perdi. Perdi um dos maiores motivos pra ser comum. O medíocre. O normal.
E como eu odeio perder.

Odeio pensar que tenho que seguir pra minha redenção sozinho, fedendo a cigarro, bebida, vagina.

O que me espera? Não sei.
Só sei que vou apagar as mensagens dela, pra não ficar encarando a foto… e, a cada mudança de perfil, ver que virei uma página virada.

A redenção tá aí.
Mas não antes de me sentir um solitário absolutamente completo.

Dentro desse otimismo falso, eu me sinto eu mesmo.
Como na música Heart-Shaped Box.

Até mais.

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